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Livro que inspirou abolição da escravidão tem tradução inédita no Brasil

Obra traduzida pelo Prof. Dr. Hélio Rocha, especialista em relatos de viagem, mostra os horrores da escravidão na Amazônia do Suriname

Livro que inspirou abolição da escravidão  tem tradução inédita no Brasil
Divulgação

Os horrores da escravidão holandesa são relatados detalhadamente no livro “Narrativa de uma expedição militar contra os Maroons do Suriname – 1772-1777”, do soldado escocês John Gabriel Stedman, publicado inicialmente na 1796, na Inglaterra, que tem agora tradução inédita no Brasil realizada pelo professor doutor Hélio Rocha, da Universidade Federal de Rondônia (Unir).


Os impactos provocados pela publicação da obra no leitor europeu aceleram o processo de abolição da escravidão. Além do relato minucioso da truculência dos soldados, Stedman produziu diversas imagens, que estão no livro. Entre elas, a reprodução de uma tortura em um ato de crueldade intensa. “Vê-se um homem negro pendurado pelas costelas na trave da forca. Não é enforcamento, pois seria misericórdia e não um ato de crueldade. O homem está suspenso por um grande gancho de ferro usado para dependurar animais esquartejados nos matadouros espalhados pelas cidades do mundo ‘civilizado’. O gancho está enfiado sob as costelas da vítima. Tem-se aí a física da tortura. O gancho não está simplesmente enfiado em seu corpo, ele suporta todo o peso de um homem adulto e ao observarmos atentamente podemos sentir a terrível tensão nos músculos de suas costas, o estiramento forçado da pele e a pressão agonizante nos pulmões a cada respiração ofegante”, detalha Rocha.
Inicialmente, a cena foi esboçada por Stedman em seu caderno, em um registro rudimentar e improvisado de um pesadelo. Em Londres, a imagem foi transformada em gravura profissional por William Blake, um mestre da época, considerado um poeta visionário que desprezava a autoridade e odiava a revolução industrial. “E, acima de tudo, ele abominava a escravidão. Ele considerava a escravização de outro ser humano um crime espiritual que condenava tanto a vítima quanto o perpetrador. Quando Blake pegou o esboço feito por Stedman, ele não apenas o copiou, ele o transformou. Blake pegou um registro jornalístico e o transformou em uma crucificação secular”, afirma o tradutor.
O livro de Stedman, com as gravuras de Blake, publicado em 1796, causou grande impacto na Europa. Rocha explica que o movimento abolicionista estava crescendo na Grã-Bretanha, e eles necessitavam de provas: “Precisavam de algo para contrariar a propaganda dos donos de plantations, que afirmavam que a escravidão era uma instituição benigna. Eles encontraram as provas nas imagens de Blake. Essa gravura e outras do livro foram amplamente divulgadas. Eram mostradas em reuniões, distribuídas em cafés e obrigaram a sociedade refinada de Londres a confrontar a origem do seu açúcar e café baratos. Foram imagens como essas que, eventualmente, tornaram a continuidade do comércio de escravos insustentável política e moralmente no Império Britânico”.
O leitor tem ainda detalhes da expedição, que Stedman participou por cinco anos contra os negros revoltosos do Suriname. Rocha afirma que o leitor brasileiro vai conhecer um pouco mais da história de um homem dividido entre o dever e a consciência, um voyeur horrorizado em uma terra sem moralidade: “Era para ser um diário de viagem, um relato militar. Transformou-se em catálogo de horrores. Stedman descreveu punições inacreditáveis. Quebrar na roda, mutilar, queimar na fogueira, decapitar”.

                                                                                             Foto/ Divulgação Prof. Dr. Hélio Rocha
Hélio Rocha
Doutor em Teoria e História pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), atua como professor-pesquisador da  Universidade Federal de Rondônia (Unir), lotado no Departamento Acadêmico de Línguas Estrangeiras (Dale). É especializado em traduções de relatos de viagens amazônicos. Entre as obras traduzidas, estão: O mar e a selva, relato de um inglês na Amazônia, de H.M. Tomlinson (2014), O paraíso do diabo – relato de viagem e testemunho das atrocidades do colonialismo na Amazônia, de Walter Hardenburg (2016), Aventura de um sueco nos confins do Alto Amazonas, incluindo uma temporada entre índios canibais, de Algot Lange (2017), O Noroeste Amazônico – notas de alguns meses que passei entre tribos canibais, de Thomas Wiffen, com colaboração de John Brown (2019), Joana – a escrava, de John Gabriel Stedman (2024) e Dois americanos na Madeira-Mamoré, de Grace B. Jekyll (2024).
Serviço:
Narrativa de uma expedição militar contra os Maroons do Suriname
1772-1777, de John Gabriel Stedman.
Tradução: Hélio Rocha.
Editora: Scienza
Mais informações: clique aqui!
Contatos imprensa:
Edmir Nogueira
e-mail: edmir.nogueira@gmail.com
Cel.: (11) 96199-3369


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