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Nova mostra no Itaú Cultural dedica três andares à mineira Solange Pessoa

História de Saulo Tafarelo

Nova mostra no Itaú Cultural dedica três andares à mineira Solange Pessoa
Nova mostra no Itaú Cultural dedica três andares à mineira Solange Pessoa

Em plena Avenida Paulista, o Itaú Cultural dedica três andares de seu espaço expositivo à mostra "Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação", em cartaz até 1º de novembro, com entrada gratuita. Estão reunidos cerca de 150 desenhos, 10 filmes experimentais e uma instalação que mescla materiais naturais com peças em bronze e cerâmica, revelando diferentes dimensões da produção da artista mineira.
O público pode conferir os pilares de sua trajetória, marcada pela observação da natureza, do corpo, dos ciclos da vida e da transformação da matéria.

As obras dialogam com materiais naturais e carregam referências à paisagem mineira, ligando-se a temas como nascimento, crescimento e morte.
Com mais de 40 anos de carreira, a artista ganha uma exposição marcada por "primeiras vezes", mostrando um lado mais íntimo de seu percurso artístico. É a primeira vez, por exemplo, que sua produção audiovisual é reunida em uma mostra, que também exibe desenhos inéditos. "O que está oculto tende a se revelar", comentou a artista durante a abertura da exposição, em 4 de agosto.
Nascida em 1961 em Ferros (MG), município na região do Vale do Rio Doce, a artista tem uma presença no circuito mineiro de arte desde os anos 1980, com participações mais discretas na ponte-aérea Rio-São Paulo.
Seu trabalho, porém, tem viajado além das fronteiras nacionais: desde 2017, realizou mostras individuais em Los Angeles, Nova York, Bruxelas, Bregenz (Áustria) e em Aspen. No ano passado, a instalação "Campos peregrinos", que pode ser vista de forma reduzida no Itaú Cultural, foi apresentada em Glasgow, na Escócia. Projetos futuros incluem trabalhos para a Fundación Botín, na Espanha, que deverão ser apresentados ainda em 2026, e para a Fondation Cartier, na França, em 2027.
"Sou distante da artista profissional, sou uma artista mais 'primital'. Essa exposição tem várias camadas. Quando a vemos pronta, sempre é uma satisfação", disse na abertura da exposição na capital paulista, em referência ao processo criativo mais intuitivo, ligado à natureza e à matéria.
Circuito expositivo
Um dos destaques da mostra ocupa quase todo o primeiro andar. Espalhada pelo chão e pelas paredes, a instalação "Campos peregrinos" reúne peças em bronze e cerâmica, combinando-as a materiais como capim, flores secas, algodão, folhas e fubá. Logo que o visitante adentra o local, nota-se o cheiro de camomila.
Ali, o público é convidado a perceber cheiros, texturas, dimensões e sons que emergem dos materiais, esticando a percepção para além da visão. Na entrada, um aviso alerta para que a interação aconteça com delicadeza, a fim de se preservar a integridade das obras.
No mesmo andar, o filme "Desjardim", criado especialmente para a mostra, integra imagem, som e performance, investigando transformações provocadas pela passagem do tempo sobre elementos naturais e arquitetônicos em diferentes locais históricos.
Descendo as escadas, no piso -1, estão expostos 150 desenhos inéditos feitos em escalas menores, realizados desde os anos 1990. Eles revelam animais, vegetação, corpos, paisagens e seres imaginários com ajuda de materiais diversos, como pigmentos, carvão, óleo, jenipapo, argila, urucum, gordura e até Merthiolate.
Além dos materiais empregados, o próprio tempo é incorporado às obras como um elemento fundamental. Nesses desenhos, a transformação da matéria ao longo dos anos passou a integrar o processo criativo, remetendo aos ciclos da vida e da natureza.
"Há um pensamento animista que perpassa tudo, como se cada linha integrasse um corpo maior - a natureza inteira respirando na ponta do lápis", escreve o curador da mostra, Franklin Espath Pedroso, no texto curatorial.
Mais abaixo, o último espaço expositivo é como um labirinto de salas, onde são projetados 10 filmes experimentais de Solange. Neles, a artista investiga as relações entre matéria e temporalidade em formato audiovisual, a exemplo de "Líticas", de 2017, com duração de oito minutos. Os filmes apresentam elementos minerais, metais, água e fogo, que mudam de forma, de cor e até de estado físico. A graça é ser atravessado por temas como permanência e mudança.
"Solange Pessoa: outras escalas. Desenhos, filmes e instalação"
Itaú Cultural; Avenida Paulista, 149 – próximo à estação de metrô Brigadeiro / Até 1º de novembro de 2026; de terça-feira a sábado, das 11h às 20h; domingo e feriados, das 11h às 19h; pisos 1, 1SS e 2SS / Entrada gratuita.
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Fonte: msn


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