Livro mostra tentativas inglesas de colonização da Guiana e do Vale das Amazonas com versão inédita em português
Obra de 1923 foi traduzida por Hélio Rocha, especialista em tradução de relatos de viagem.
25/09/2026 15:14:11
O livro Colônias Inglesas na Guiana & no Vale do Amazonas (1604 – 1668), do historiador inglês James Alexander Williamson (1886-1964), agora tem tradução inédita no Brasil. O processo tradutório foi realizado pelo professor doutor Hélio Rocha, da Universidade Federal de Rondônia (UNIR). A primeira edição da obra foi em 1923, na Inglaterra e até o momento não havia sido vertida para a língua brasileira.
“Creio que seja uma obra indispensável para entender as primeiras tentativas inglesas de colonização da Guiana e do Vale do Amazonas”, explica Rocha. O tradutor esclarece também que James A. Williamson reuniu farta documentação com o propósito de reconstruir as tentativas das expedições europeias e disputas surgidas entre elas e com os indígenas Aruaque e Caribe, primeiros moradores da região: “A Amazônia caribenha é uma região complexa que traz grandes desafios aos exploradores, principalmente àqueles do século XVII, período em que se debruça da obra traduzida. O público brasileiro terá agora acesso a um clássico da historiografia inglesa sobre a América do Sul”.
O leitor vai se deparar com descrições de viagens audaciosas pelo rio Amazonas e na costa selvagem da Guiana. “O livro mostra as duras realidades enfrentadas pelas expedições. As pesquisas de Williamson contribuíram para a construção de um texto com detalhes das expedições, além de mostrar os personagens que ajudaram a escrever a história e os fatores preponderantes impulsionadores dessas empreitadas”, observa Rocha.
O tradutor explica ainda que a obra traz as rivalidades geopolíticas da época, apontando o choque de interesses entre os ingleses e Espanha, Portugal e Holanda. “O livro é leitura obrigatória tanto para pesquisas sobre história marítima como para estudos sobre o Império Britânico, além da história da América do Sul”, afirma Hélio.
Historiador com passagens pela Westminster School (1910-1937) e pela Universidade de Oxford, Williamson também atuou como membro de instituições como a Hakluyt Society e a Historical Association. Desde a década de 1910, o historiador publicou obras relatando as várias fases da expansão marítimo-colonial inglesa.
A obra em língua inglesa foi apresentada ao tradutor Helio Rocha por Auxiliomar Ugarte, historiador e pesquisador na Universidade Federal do Amazonas – (UFAM) que escreveu o prefácio para a edição brasileira. De acordo com Ugarte, “Nos sete capítulos que compõem Colônias Inglesas na Guiana e no Vale do Amazonas (1604-1668), James A. Williamson conseguiu dar uma visão abrangente das atividades que eram realizadas por esses concorrentes das pretensões do domínio espanhol nas Guianas e das pretensões do domínio português no vale do rio Amazonas. Quanto aos conflitos entre ingleses/irlandeses/holandeses e portugueses, por causa da ocupação realizada por aqueles em algumas localidades no baixo Amazonas, os leitores brasileiros desta tradução do livro de James Williamson terão acesso à perspectiva desses outros colonizadores europeus e poderão confrontá-la com a perspectiva lusitana, já amplamente abordada, senão defendida, por grandes historiadores brasileiros, como Francisco Adolfo de Varnhagen, Joaquim Nabuco e Arthur Cézar Ferreira Reis, somente a título de exemplo.”
O livro tem ainda posfácio de Fernando Fernandes, Doutor em História Social da Amazônia pela Universidade Federal do Pará (UFPA). O pesquisador dedica-se à docência superior e à investigação científica com foco em história regional, dinâmicas coloniais e protagonismo indígena. Trabalha na Universidade Federal de Rondônia (Unir), onde também atua na pós-graduação.
Helio Rocha
Doutor em Teoria e História pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e professor-pesquisador na Universidade Federal de Rondônia (Unir) – Curso de Inglês. Especializado em traduções de relatos de viagens pelos mundos amazônicos, entre as obras traduzidas estão:
O mar e a selva, relato de um inglês na Amazônia, de H.M. Tomlinson (2014);
O paraíso do diabo – relato de viagem e testemunho das atrocidades do colonialismo na Amazônia, de Walter Hardenburg (2016);
Aventura de um sueco nos confins do Alto Amazonas, incluindo uma temporada entre índios canibais, de Algot Lange (2017);
A descoberta do grande, belo e rico império da Guiana, de Walter Raleigh (2017); O Noroeste Amazônico – notas de alguns meses que passei entre tribos canibais, de Thomas Whiffen, com colaboração de John Brown (2019);
Viagens pelos rios Amazonas e Madeira (Brasil), Bolívia & Peru (1872-1874), de Edward Davis Mathews (2020);
Os lengua-maskoy do chaco paraguaio, de W. B. Grubb (2022);
Joana – a escrava, de John Gabriel Stedman (2024);
Dois americanos na Madeira-Mamoré, de Grace B. Jekyll (2024);
Um missionário no rio Amazonas (1872), de Robert S. Clough (2025);
Narrativa de uma expedição militar contra os maroons do Suriname (1772-1777), de J. G. Stedman (2026).
Confira os tópicos abordados no livro Colônias Inglesas na Guiana & no Vale do Amazonas (1604 – 1668):
I - A Colonização da Guiana:
- Colônias Vizinhas e o Contexto Político;
- Viagens anteriores a 1604.
II – As Colônias do Wiapoco, 1604-13:
- A colônia de Charles Leigh, 1604-6;
- A colônia de Robert Harcourt, 1609-13.
III – Os Rios Amazonas & Orinoco, 1610-19:
- As viagens de Sir Thomas Roe e sua plantation no Amazonas;
- Algumas empreitadas pouco claras, 1611-19;
- A última viagem de Walter Raleigh, 1617-18.
IV – O Rio Amazonas, 1619-25:
- A Amazon Company, 1619-21;
- Os Assentamentos no Vale do Amazonas, 1620-5.
V – A Guiana Company, 1626-35.
VI – Outras Empreitadas na Guiana, 1629-45.
12 Colônias Inglesas na Guiana & no Vale do Amazonas (1604-1668)
VII – Suriname, 1651-68.
- Fundação e Primeiros Anos, 1651-60;
- Suriname em seu Auge;
- A Política do Suriname, 1660-5;
- A Perda do Suriname, 1665-8.
Serviço:
Colônias Inglesas na Guiana & no Vale do Amazonas (1604 – 1668)
Autor: James Alexander Williamson
Tradução: Hélio Rocha
Editora: Scienza
Fonte: Assessoria de Imprensa
Edmir Nogueira
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