Aos 40 anos, Lady Gaga ainda não parou de revolucionar o pop
Artista completa 40 anos com influência renovada na música pop picture alliance / Jordan Strauss/Invision/AP Quando o nome Lady Gaga surgiu no fim dos anos 20...
Artista completa 40 anos com influência renovada na música pop picture alliance / Jordan Strauss/Invision/AP Quando o nome Lady Gaga surgiu no fim dos anos 2000, ela provocou ondas de choque no universo da música. Para os críticos, muito do que fazia parecia pura provocação. Hoje, olhando para trás, fica claro: Lady Gaga pensava o pop como arte performática. Foi assim que ela mudou de forma duradoura o pop e o mundo dos videoclipes. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Lady Gaga nasceu em 28 de março de 1986, em Nova York, como Stefani Joanne Angelina Germanotta. Cresceu bem protegida em Manhattan, começou cedo no piano e, ainda adolescente, já escrevia suas próprias músicas. Amava teatro e musicais, e gostava de chamar atenção com sua extravagância. Divertia-se horrores pulando pela descolada Lower East Side com roupas malucas para a época. Mesmo entre tantos hipsters e excêntricos, ela conseguia ir além – um contraste com sua formação em uma escola católica de elite, da qual se formou com excelentes notas. A jovem talentosa circulava por bares e clubes e, como tantos artistas em ascensão que lotavam Nova York, participou em 2005 de um concurso musical. Apresentada como uma "cantora e compositora muito talentosa", Stefani Germanotta sentou-se descalça ao piano, tocou duas músicas, e ficou em terceiro lugar. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Mesmo assim, seu talento como compositora chamou atenção na cena, e ela acabou contratada como autora. O produtor Rob Fusari trabalhou com ela por muito tempo no estúdio. Por causa da extravagância da artista, a comparava com Freddie Mercury. Para cumprimentá-la, sempre cantava Radio Gaga, do Queen, levando cada vez mais pessoas ao seu redor a chamá-la de "Gaga". Era natural que ela adotasse o nome artístico ao lançar seu primeiro álbum, The Fame, sob o qual se tornaria um fenômeno mundial. E quando superestrelas como Rihanna, Christina Aguilera, Beyoncé e Gwen Stefani dominavam o pop, surgiu entre elas Lady Gaga, oferecendo ao soul e ao R&B da época um eletropop pulsante. Just Dance subiu devagar, mas de forma constante, ao topo das paradas em 2008, seguida por Poker Face e Bad Romance. Lady Gaga se reinventou ao lado de Bad Bunny com versão em salsa de uma de suas músicas John Angelillo/UPI Photo/newscom/picture alliance Pop como performance Mas o decisivo não era só a música, e sim o conjunto. Cada aparição era um conceito, cada look uma narrativa. Ela brincava com identidade, gênero, persona e realidade de forma performática, redefinindo, assim, o que significa ser um "popstar". Gaga revitalizou também os videoclipes, que já davam sinais de desgaste: cenas surreais, dança, festa e figurinos ainda mais estranhos. Bad Romance, por exemplo, não é só um clipe, mas um manifesto visual, com alienígenas em trajes de látex, sapatos absurdos, chapéus extravagantes, Gaga com cabelos caóticos e olhos enormes. Telephone é um curta-metragem ambientado em uma prisão feminina. Gaga usa, entre outras coisas, um chapéu feito de cigarros acesos e, em outra cena, bobs de cabelo feitos de latas de refrigerante. Então Beyoncé liga e a tira da prisão. Gaga transformou videoclipes em uma forma de arte própria – grandiosa, exagerada, cuidadosamente encenada. Milhões de cliques no YouTube tornaram seu universo visual global. Com Born This Way, se afirmou de vez como ícone na era da internet. Moda se tornou parte de suas performances picture alliance / dpa Moda como linguagem Poucas artistas usaram a moda de forma tão consistente. O famoso vestido de carne – feito de carne bovina crua, usado por ela no MTV Video Music Awards de 2010 – não foi uma piada, mas uma mensagem política. Em entrevista à apresentadora Ellen DeGeneres, ela explicou que o look fazia parte de seu protesto contra a política militar americana. O vestido era um posicionamento contra a restrição de direitos de soldados homossexuais, não contra a proteção animal. A partir desse momento, Gaga se consolidou também como ícone da moda excêntrica e intransigente. Suas roupas eram sempre parte da narrativa. Artista posou com vestido feito de carne bovina Hubert Boesl/dpa/picture alliance Mudança, não repetição Lady Gaga nunca se prendeu a um único estilo. A persona extravagante foi deixada de lado pela primeira vez em 2014, quando lançou um álbum de jazz com o crooner Tony Bennett. Em Cheek to Cheek, Gaga mostrou suas habilidades como cantora de jazz, convencendo sem truques de moda e sem alienígenas. Continuou conquistando milhares de fãs: foi seu terceiro álbum número 1. Como atriz, ela já havia aparecido quando jovem na série de TV Família Soprano, mas em 2018 veio o grande papel. No remake de Nasce uma Estrela, Gaga seguiu os passos de Barbra Streisand e Judy Garland. Pelo dueto Shallow, com Bradley Cooper, ganhou um Oscar. Depois vieram papéis em Casa Gucci e Coringa: Delírio a Dois, consolidando Gaga como atriz. Gaga ganhou um Oscar por Shallow Jordan Strauss/Invision/AP Photo/picture alliance Influência até hoje Lady Gaga já ganhou 16 Grammys, incluindo um em fevereiro de 2026 por seu sétimo álbum, Mayhem, como melhor álbum vocal. Cantou no Superbowl como artista principal, em 2017 – e retornou ao palco do show de intervalo da NFL em 2026, ao lado de Bad Bunny, com uma versão em salsa deDie With A Smile. Também performou na abertura dos Jogos Olímpicos de Paris e na posse do ex-presidente dos EUA Joe Biden. Em maio de 2025, foi a vez de entrar no Guinness Book pelo maior maior público da história de uma artista feminina, com o show gratuito que parou Copacabana, no Rio de Janeiro, alcançando, segundo a publicação, 2,5 milhões de presentes. Ela sempre foi aberta sobre temas pessoais. Falou cedo sobre saúde mental, ansiedade, depressão e a pressão pública. Em muitas entrevistas, relatou ter sofrido violência sexual quando jovem. Em 2017, revelou sofrer de fibromialgia, uma doença crônica de dor, que a levou a cancelar sua participação no Rock in Rio daquele ano. A condição a obrigou a adiar turnês e adaptar sua rotina. Show no Rio de Janeiro reuniu mais de 2 milhões de pessoas Daniel Ramalho/AFP/Getty Images Ativismo e vida pessoal Com sua mãe, fundou a Born This Way Foundation, dedicada à saúde mental e ao combate ao bullying, reflexo direto de suas próprias experiências. Sua vida pessoal é relativamente controlada. Gaga separa claramente a artista da pessoa real. Relacionamentos, como com o ator Taylor Kinney ou o empresário Michael Polansky, vieram a público, mas sem espetáculo. Ela já declarou várias vezes sua bissexualidade e é uma defensora ativa da comunidade LGBT+. Muitos comentários em seus vídeos expressam admiração pela mulher que, aos 40 anos, já realizou tanto. Ela deu ao pop uma mensagem: postura. Em um show em Tóquio, em janeiro de 2026, criticou abertamente a atuação dura da agência de imigração dos EUA, cujas operações resultaram em mortes. "Pedimos que mudem de rumo e tenham compaixão por todas as pessoas em nosso país." Dapieve: Bad Bunny, Kendrick Lamar e Lady Gaga são destaques no Grammy 2026