Besouro invasor que destrói palmeiras acende alerta para agricultura no Brasil
Bicudo-vermelho preocupa produtores de palmeiras no Brasil Uma nova ameaça vinda do exterior acende o alerta para a biodiversidade e a produção agrícola no ...
Bicudo-vermelho preocupa produtores de palmeiras no Brasil Uma nova ameaça vinda do exterior acende o alerta para a biodiversidade e a produção agrícola no Brasil. O bicudo-vermelho (Rhynchophorus ferrugineus), um besouro exótico que já devastou plantações em diversos países, pode já estar no território nacional, segundo pesquisadores. A primeira notificação formal no Brasil foi feita em 2022 pelo biólogo Francisco Zorzenon, do Instituto Biológico de São Paulo, em Porto Feliz (SP). A suspeita é que o inseto tenha chegado por meio de palmeiras importadas do Uruguai. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 Desde então, o instituto identificou exemplares do bicudo-vermelho em amostras de São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O Ministério da Agricultura ainda não confirmou oficialmente a presença da praga, mas emitiu um alerta em março dizendo que há 'risco de prejuízos expressivos para produtores'. Segundo o órgão, por enquanto há apenas “indícios” da presença do bicudo-vermelho. A confirmação depende da coleta e análise de amostras por equipes do próprio governo em laboratórios credenciados. Especialistas alertam que a praga pode ser confundida com o bicudo-preto (Rhynchophorus palmarum), espécie nativa que também ataca palmeiras. A diferença está principalmente no tamanho — o inseto brasileiro costuma ser maior — e na coloração, que é preta. ➡️O Brasil reúne uma das maiores diversidades de palmeiras do mundo, com mais de 260 espécies nativas, como a guariroba e o butiá. Além da importância ambiental, essas plantas sustentam cadeias econômicas relevantes — como coco, açaí e dendê — e são amplamente usadas no paisagismo. Como o inseto destrói as palmeiras Imagem do besouro bicudo-vermelho que ameaça palmeiras no Brasil. Reprodução O bicudo-vermelho é um besouro de cerca de 5 centímetros, de coloração avermelhada com manchas escuras. A fêmea perfura a planta para depositar os ovos. Quando nascem, as larvas passam a se alimentar do interior da palmeira, atingindo o “miolo” — conhecido como palmito. Como as folhas crescem a partir dessa região central, o ataque impede a formação de novas folhas e leva a planta à morte. Diferentemente das árvores comuns, as palmeiras não têm tronco lenhoso, mas um caule mais flexível, chamado estipe. Essa estrutura facilita a ação das larvas, que se desenvolvem protegidas dentro da planta, dificultando a detecção precoce. Galinha leva 25 horas para produzir um ovo; entenda o processo 'Tomatinhos' no pé de batata? Entenda fenômeno que assustou produtor em MG Setor ornamental em alerta O risco preocupa especialmente o mercado de plantas ornamentais. Em uma fazenda em Jacareí (SP), por exemplo, uma palmeira da espécie Phoenix canariensis — uma das preferidas do bicudo-vermelho — pode levar até 20 anos para atingir o tamanho comercial e chega a custar R$ 24 mil. O presidente da Sociedade Brasileira de Palmeiras (SBP), Juliano Borim, relata o impacto observado em países vizinhos. “Vi quilômetros e quilômetros de palmeiras mortas ou derrubadas”, afirma. Segundo ele, após atingir espécies exóticas, o inseto passou a atacar também palmeiras nativas, como o jerivá e o butiá. Falta de controle e impasse oficial O combate à praga enfrenta entraves no Brasil: Entrada irregular: o inseto pode chegar ao país em palmeiras importadas ilegalmente; Ausência de predadores: por ser exótico, não tem inimigos naturais no ecossistema brasileiro; Falta de insumos registrados: produtos usados no exterior, como feromônios e inseticidas específicos, ainda não têm registro no país para esse uso. O Ministério da Agricultura diz que avalia alternativas de controle e que poderá adotar medidas para registro de produtos caso a presença seja confirmada. Enquanto isso, produtores e pesquisadores cobram rapidez na resposta. “Se nada for feito, podemos ter problemas sérios tanto nas palmeiras ornamentais quanto nas produtivas”, alerta o agrônomo Roberto Betancur. O bicudo-vermelho é um besouro de cerca de 5 centímetros, de coloração avermelhada com manchas escuras. Reprodução