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Casa Branca diz que governo dos EUA fará anúncio de novas tarifas nesta quinta-feira

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, realiza uma coletiva de imprensa na Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 23 de julho de 2026 REUT...

Casa Branca diz que governo dos EUA fará anúncio de novas tarifas nesta quinta-feira
Casa Branca diz que governo dos EUA fará anúncio de novas tarifas nesta quinta-feira (Foto: Reprodução)

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, realiza uma coletiva de imprensa na Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 23 de julho de 2026 REUTERS/Jonathan Ernst A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, informou nesta quinta-feira (23) que o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, fará um anúncio sobre novas tarifas antes do fim da vigência da taxa global de 10%, previsto para sexta-feira (24). A expectativa é de que a medida estabeleça uma sobretaxa entre 10% e 12,5% sobre produtos importados de cerca de 60 economias, incluindo o Brasil. Para os produtos brasileiros, a alíquota prevista é de 12,5%. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 A nova tarifa está relacionada a uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A apuração trata de supostas falhas de parceiros comerciais no combate à importação de produtos feitos com trabalho forçado. LEIA TAMBÉM Tarifaço de Trump pressiona setores, mas Brasil chega menos dependente dos EUA, dizem especialistas Tarifaço: setores atingidos e governo divergem sobre possibilidade de aplicar reciprocidade aos EUA O governo brasileiro já espera a aplicação da nova tarifa e acompanha as negociações com representantes dos setores afetados. 🔎 O argumento é parecido ao utilizado pelos EUA para justificar a tarifa de 25% aplicada sobre produtos brasileiros, que entrou em vigor na última quarta-feira (22). Com a nova medida, parte dos produtos do Brasil passam a enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%. Tarifaço de Trump: veja as medidas do governo para tentar conter impacto das tarifas Entenda o que é essa investigação e a justificativa do governo Trump Em março deste ano, o escritório do Representante Comercial dos EUA anunciou o inicio de investigações contra 60 países, dentre eles, o Brasil. Em junho, a apuração concluiu que esses países adotam práticas comerciais consideradas desleais por não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Além do Brasil, a lista inclui alguns dos principais parceiros comerciais e aliados dos EUA, como Austrália, Canadá, União Europeia, Reino Unido, Israel, Índia, Catar e Arábia Saudita. China e Rússia também aparecem na relação. O governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países. O USTR alega que a condução dos países neste assunto não apenas prejudica a lucratividade de empresas éticas, mas também incentiva a manutenção do trabalho escravo moderno ao permitir a circulação de mercadorias produzidas a custos artificialmente baixos. Em relação ao Brasil, o relatório afirma que, embora o país assuma compromissos de combate ao trabalho escravo em acordos de comércio e investimentos, ainda não possui uma proibição considerada efetiva pelos EUA para impedir a entrada de mercadorias produzidas nessas condições no mercado interno. O documento menciona a existência da Lista Suja do Trabalho Escravo, atualizada semestralmente pelo governo federal, mas ressalta que o foco da investigação americana foi a ausência de mecanismos para impedir a importação de bens produzidos com trabalho forçado em outros países. Brasil classifica decisão como "arbitraria" No início de julho, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviou uma carta ao USTR para contestar a proposta de aplicar a tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros. Na carta, o Itamaraty rejeitou a avaliação e afirmou que as conclusões da investigação são "errôneas", "arbitrárias" e não encontram respaldo nas evidências apresentadas pelo Brasil ao longo do processo. O documento enviado pelo governo brasileiro ao USTR sustenta que o país já atua de forma ativa no combate ao trabalho análogo à escravidão, principal motivo apontado pelos EUA para justificar a proposta de aplicar uma tarifa adicional sobre produtos brasileiros. No texto, Vieira afirma que o país mantém um conjunto abrangente de mecanismos legais e institucionais para prevenir, identificar e punir casos. Entre eles estão: responsabilização criminal; fiscalização trabalhista; mecanismos de transparência; cooperação entre diferentes órgãos públicos; e medidas para impedir que produtos ligados ao trabalho escravo entrem nas cadeias produtivas. O governo brasileiro também argumenta que o USTR utilizou exemplos de outros países para justificar sua decisão, sem demonstrar relação com a realidade brasileira. "O USTR optou por invocar uma afirmação conclusiva", afirma o documento. Para reforçar esse argumento, Mauro Vieira recorre à própria legislação americana. Segundo ele, a Seção 301 não permite que o USTR ignore evidências que contradigam suas conclusões — mas foi exatamente isso que aconteceu neste caso. "A Section 301 não permite que o USTR ignore evidências incontestadas (...) Infelizmente, foi precisamente isso que o USTR propôs", escreve Vieira. Novas taxas substituem tarifaço anterior Na prática, as novas tarifas substituem a taxa global de 10% anunciada pelo presidente americano, Donald Trump, em fevereiro deste ano, logo após a Suprema Corte dos EUA derrubar as "tarifas recíprocas" impostas pelo republicano no ano passado. A medida havia sido adotada com base na Seção 122 da legislação comercial americana, que permite ao presidente impor tarifas temporárias por até 150 dias. Esse prazo se encerra na sexta-feira (24). Na ocasião, o presidente americano havia adiantado que recorreria à Seção 301 para abrir investigações sobre práticas comerciais consideradas desleais. O plano do governo para conter danos do tarifaço A principal iniciativa do governo para apoiar empresas afetadas pelas tarifas é o Plano Brasil Soberano. Lançado em 2025, o programa prevê linhas de financiamento, ampliação das garantias para exportadores e ações de promoção comercial para ajudar empresas brasileiras a conquistar novos mercados. Na última quarta-feira (22), o governo anunciou a terceira etapa do plano, que liberou R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas afetadas pelas tarifas comerciais dos EUA. A medida atende companhias de setores industriais estratégicos, como os segmentos farmacêutico, de fertilizantes e têxtil, além de empresas que tiveram as exportações para o Golfo Pérsico afetadas. Nesse último caso, o objetivo do governo é ampliar o apoio a empresas afetadas pela guerra no Oriente Médio. O conflito, que envolve os EUA, o Irã, Israel e outros países da região, provocou o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais do mundo, por onde passa cerca de 20% do comércio global de petróleo. Vista aérea da Casa Branca, em 2 de maio de 2026 REUTERS/Ken Cedeno