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De ajudante de pedreiro a líder do Spotify: DJ Japa NK domina ranking e embala o funk do pré-carnaval

DJs e cantores da Bololô Records, como Japa NK, costumam produzir as músicas durante a noite e de madrugada. Fábio Tito/g1 Das 15 músicas mais ouvidas no Sp...

De ajudante de pedreiro a líder do Spotify: DJ Japa NK domina ranking e embala o funk do pré-carnaval
De ajudante de pedreiro a líder do Spotify: DJ Japa NK domina ranking e embala o funk do pré-carnaval (Foto: Reprodução)

DJs e cantores da Bololô Records, como Japa NK, costumam produzir as músicas durante a noite e de madrugada. Fábio Tito/g1 Das 15 músicas mais ouvidas no Spotify, cinco têm um nome em comum: DJ Japa NK. O produtor de funk paulista de 33 anos assina "Posso Até Não te Dar Flores", música mais ouvida no país por 16 semanas e hit do pré-carnaval nos streamings. Desde seu lançamento, a canção foi tocada mais de 250 milhões vezes no Spotify e tirou “P do Pecado”, de Menos É Mais, do primeiro lugar no gosto popular. Além da top 1, Japa fez "Amo Minha Favela", com MC Meno K, "Gauchinha", "Carnívoro" e "SET DO JAPA NK 2.0", com MC Oruam. 🎉 O DJ diz que "Posso Até Não te Dar Flores", "Amo Minha Favela" e "Gauchinha" são as músicas com mais potencial para tocar durante o carnaval e que está ansioso para se apresentar em trios nos blocos. Um dos artistas da Bololô Records, gravadora de MC Ryan SP, ele já lançou dois álbuns: “É o Japa NK Né Bebê”, em 2024, e “Beat que Te Deixa Alerta”, no ano passado. Veja os vídeos que estão em alta no g1 De camiseta branca sem mangas e com um cordão de ouro com pingente de tubarão combinando com o relógio de ouro no braço tatuado, Japa conversava com o g1 quando seu iPhone 17 laranja tocou, e o tema era a agenda cheia e seus shows supostamente lotados no Norte do Brasil. Muita coisa mudou na vida de Adenilton Sapucaia dos Santos, o Japa NK, que falou na entrevista sobre seu passado como pedreiro, a nova vida promovida pelo funk e o processo de criação de suas músicas. "Posso Até Não te Dar Flores", de Japa NK, é o primeiro lançamento da Bololô Records, gravadora chefiada por MC Ryan SP. Fábio Tito/g1 Mudanças e exploração musical Japa passou os primeiros anos de sua infância em Taboão da Serra, Grande São Paulo e se mudou para Amargosa, no interior da Bahia, aos 5 anos. Viveu lá com a família até os 18 anos. ✈️ "Era 'mó' paz. Eu gostava de lá porque não tem violência e essas coisas de cidade grande", disse Japa ao g1. Amargosa tem uma população estimada de 39 mil pessoas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), e fica a 241 quilômetros da capital baiana. De volta a São Paulo, Japa foi morar no Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo, e trabalhou como auxiliar de pedreiro com seu pai. A mãe de Japa era faxineira, e a irmã, caixa de mercado. Antes de fazer sucesso nas plataformas de música, DJ Japa NK trabalhou como ajudante de pedreiro com o pai. Acervo pessoal/Adenilton Sapucaia dos Santos "Eu não queria vir para São Paulo porque estava acostumado com o ritmo de Amargosa, mas meus pais me convenceram dizendo que tinha mais oportunidade de emprego aqui", diz. "Nunca achei que a música podia mudar minha vida. Eu achava que música não dava dinheiro. Foi nesse momento que comecei a trabalhar em obra, carregando entulhos e batendo massa, por um salário pequeno." 🎛️ O paulistano começou a fazer música por hobby, usando o Virtual DJ. O programa permite fazer mixagem de MP3 de graça. "A maioria dos DJs, quando começam a fazer música, iniciam assim", afirma. A sua primeira apresentação em público foi no colégio Pedro Calmon, ainda em Amargosa, em 2008. "Lembro como se fosse hoje: o pessoal pediu para eu tocar no auditório da escola, eu usei o programa e gostei para caramba." Antes de voltar a São Paulo, Japa diz que fez pelo menos cinco shows no interior da Bahia. Depois de passar mais de 10 anos trabalhando em construções, Japa lançou sua primeira música oficialmente, em 2022, com 30 anos. A vida do funkeiro só mudou de verdade em 2025, quando lançou "Posso Até Não te Dar Flores". Martin Garrix, que tocou um remix de "Posso Até Não te Dar Flores" em um show que fez no Brasil no mês passado, e David Guetta são as principais inspirações do produtor. Ele sonha em gravar músicas com Mc Hariel, MC Don Juan, Dennis DJ e Pedro Sampaio. Ascendência japonesa O apelido "Japa" surgiu em Amargosa por causa dos olhos puxados, herança da ascendência japonesa. Quando voltou a São Paulo, o apelido também se tornou popular entre amigos. Porém, no mesmo "bonde de rolê", tinham outras pessoas com ascendência japonesa. Para se diferenciar, Adenilton adotou o "NK", uma sigla em homenagem ao Jardim Nakamura, uma favela que fica próxima ao Capão Redondo. Hoje, Japa é um dos poucos descendentes de asiáticos em destaque na indústria musical brasileira. Apenas 0,4% dos brasileiros se identificam como amarelos, segundo o Censo Demográfico 2022. A pesquisa ainda revela que a cidade de São Paulo tem a maior população de pessoas que se declaram amarelas no Brasil, com 238.603 habitantes, que representam 2,1% da população municipal. Japa tem duas tatuagens no braço direito que fazem referência à identidade racial: Uma das primeiras tatuagens que ele fez foram três kenjis japoneses, "平 家 信", que representam "paz, família e fé"; e Um templo budista japonês. Produzindo um hit de verão "Posso Até Não te Dar Flores" é um arrocha-funk produzido por DJ Japa NK e DJ Davi DogDog que está há 15 semanas no primeiro lugar do ranking de músicas mais ouvidas no Brasil no Spotify. Esta foi a primeira música lançada pela Bololô Records, a gravadora de Ryan SP. A faixa nasceu durante uma viagem a Guarujá, no Litoral Sul de São Paulo. Os produtores se inspiraram nas músicas "I Gotta Feeling", do Black Eye Peas, e "Famosinha", de MC Ryan, que tem beat de arrocha. A dupla enviou a música a MC Jacaré, MC Ryan SP e MC Meno K quando a batida ficou pronta para os cantores gravarem seus versos. "Usei o beat de arrocha para puxar a produção e precisei de um ritmado para dar aquela 'explosão' na música. Peguei o beat de uma das canções do Mc Magrinho, então recortei, refiz e coloquei na música", explicou Japa. A base da música é uma melodia feita por dedilhados acompanhados por graves constantes, algo comum nas músicas produzidas por Japa. Japa NK tem um cordão de ouro com pingente que faz referência a MC Ryan SP, antes chamado de "tubarão do funk". Fábio Tito/g1 🔊 A faixa se divide em dois tipos de beats, um mais "calmo" e outro "explosivo", segundo o DJ. Ele explica que, na sua visão, "essa variação dá a sensação de que a música acabou muito rápido, e o ouvinte quer escutar mais vezes". "Quando terminamos de montar já era 6h da manhã. Pensei 'acabei de acertar um hit, vou fazer mais nada hoje''." Dito e feito. O sucesso foi tanto que "Posso Até Não te Dar Flores" desbancou "P do Pecado", do Menos é Mais com Simone Mendes, da primeira posição do ranking de músicas mais ouvidas, depois de o pagonejo bater recorde de permanência. A música também impede "JETSKI", de Pedro Sampaio, que está na segunda posição do ranking, de se tornar oficialmente o hit do carnaval nos streamings. O sucesso do arrocha-funk é atribuído por Japa, principalmente, à potência do ritmo: "Acredito que o funk tem potencial de andar lado a lado com o sertanejo como o ritmo mais ouvido no Brasil. O sertanejo é sobre sentimento e passa aquilo que as pessoas querem ouvir. O funk, hoje, está fazendo a mesma coisa". Uma promessa feita a Deus também pode ter ajudado a canção a ser top 1, diz Japa. O produtor diz que se comprometeu a parar de consumir energéticos, refrigerantes, salgados e pizzas até o Natal com o intuito de fazer a música estourar. Ryan SP, que esteve envolvido em uma polêmica de violência doméstica, é uma parceria comum nas músicas do JP Japa NK. Fábio Tito/g1 🎙️ Japa NK no estúdio Temas comuns nas músicas de DJ Japa NK são términos, sofrimento por amor e superação por meio de festas. 💔 Quando questionado sobre o porquê isso aparece tanto em suas produções, Japa respondeu brincando: "Quem nunca sofreu por uma mulher atire a primeira pedra". De acordo com ele, os ouvintes brasileiros gostam e se identificam com essa temática. "Quando eu vou fazer a música, eu sempre busco pensar no público que vai ouvir", complementou. "Música é sentimento. Você vai escutar e vai se identificar, por que pode estar passando por algo parecido." Sobre seus beats, Japa conta que são "inspirados nos das antigas, da época em que Mc Don Juan, MC Hariel e MC Kevin estavam 'estourados'". Suas produções normalmente têm mais de um tipo de beat que se intercalam. "Uns beats, eu recrio; outros, eu complemento com alguma coisa, mas é tudo coisa que já passou, porque eu sinto que o público sente falta dessa estética no funk", complementou. O g1 também acompanhou Japa durante o processo de produção de uma nova música. Adenilton entrou no estúdio animado e fazendo piadas com os colegas, mas assumiu de vez a postura de produtor quando MC Ryan SP decidiu que era hora de gravar alguns versos. O produtor ficou com o semblante sério e só conversava na hora de fazer apontamentos para guiar o cantor. Japa NK e MC Ryan SP se conheceram por meio do empresário de Japa, quando o DJ ainda trabalhava na gravadora Love Funk e tinha poucos hits. Fábio Tito/g1 🫂 MC Ryan SP diz que Japa é como um irmão. "Ele é muito trabalhador, inovador e gosta muito de fazer música", disse o funkeiro ao g1. "Japa veio para ficar e proliferar." Depois que "o homem" (forma que Japa chama Ryan) começa a gravar, Adenilton já sabe: o horário de trabalho apenas começou, e ele só vai sair daquela sala com cheiro de tabaco ao amanhecer. *Sob supervisão de Cintia Acayaba e Paula Lago