Dólar cai e fecha a R$ 5,21 com nova fase da guerra no Oriente Médio; Ibovespa sobe
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda de 0,58% nesta quinta-feira (19), cotado a R$ 5,2152. O Ibovespa, principal índice ...
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em queda de 0,58% nesta quinta-feira (19), cotado a R$ 5,2152. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, avançou 0,35%, aos 180.271 pontos. O dia foi marcado por cautela elevada, em meio à alta do petróleo e do gás natural após novos ataques do Irã a instalações de energia. Um novo discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, no entanto, trouxe certo alívio aos mercados ao indicar que o conflito pode não se prolongar. 📱 Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ Ele afirmou que Estados Unidos e Israel estão “vencendo, e o Irã está sendo dizimado”, acrescentando que o arsenal de mísseis e drones iraniano está sendo fortemente degradado e será destruído. O dólar, que subia, passou a cair após a declaração. ▶️ Além disso, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que Benjamin Netanyahu se comprometeu a não atacar campos de energia do Irã. “Eu disse a ele: ‘Não faça isso’, e ele não fará”, declarou a repórteres no Salão Oval. ▶️ O Irã anunciou uma nova fase da guerra nesta quinta, passando a mirar estruturas de energia no Golfo ligadas aos EUA, em retaliação ao ataque de Israel ao maior campo de gás do mundo em território iraniano. Ação provocou uma disparada nos preços do petróleo e do gás natural. 🔎 O Brent — referência do mercado — alcançou o maior nível em mais de uma semana e superando os US$ 115 por barril. Por volta das 17h desta quinta, o preço futuro do gás natural na Europa registrava alta de cerca de 12%. Mais cedo, o gás chegou a subir 35% na região. ▶️ No Brasil, o governo tenta conter uma alta do diesel em ano eleitoral, em meio à disparada do petróleo com a guerra no Oriente Médio. A proposta é zerar o ICMS sobre a importação do combustível até o fim de maio, com metade das perdas dos estados compensada pela União. ▶️ No campo político, os investidores analisam a indicação do secretário-executivo Dario Durigan, número dois na hierarquia da pasta, para comandar o ministério até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após a saída de Haddad para concorrer ao governo de São Paulo. ▶️ Com poucos indicadores no cenário local, os investidores voltam a atenção para as decisões de juros ao redor do mundo, como os anúncios do Banco do Japão (BoJ), do Banco Central Europeu (BCE) e do Banco da Inglaterra (BoE), além dos pedidos semanais de auxílio-desemprego nos EUA. ▶️ Ainda no radar estão as as decisões de juros: no Brasil, a Selic foi reduzida em 0,25 ponto, para 14,75% ao ano, enquanto, nos EUA, o Federal Reserve manteve as taxas entre 3,50% e 3,75% ao ano. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: -1,86%; Acumulado do mês: +1,58%; Acumulado do ano: -4,98%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: +1,47%; Acumulado do mês: -4,51%; Acumulado do ano: +11,88%. Novos ataques no Oriente Médio A guerra no Oriente Médio entrou em uma nova fase, segundo o Irã, que anunciou ataques a instalações de energia ligadas aos Estados Unidos como resposta aos bombardeios contra sua própria infraestrutura, atribuídos a Israel com apoio americano. A escalada teve início após o ataque ao campo de gás South Pars, no Irã — o maior do mundo —, e ganhou força com a retaliação iraniana, que atingiu estruturas energéticas em países como Catar e Arábia Saudita, incluindo uma importante unidade de processamento de gás no território catariano. Diante desse cenário, os preços do petróleo dispararam nesta quinta-feira, com o barril superando US$ 115, enquanto o gás natural também subiu forte na Europa. O movimento reflete o temor de interrupções no fornecimento global de energia. Nos EUA, o governo de Donald Trump teria apoiado a ofensiva inicial, mas tenta conter novos ataques a esse tipo de infraestrutura, enquanto avalia os próximos passos conforme a reação do Irã. Ao declarar que o Irã está sendo "dizimado", Benjamin Netanyahu citou o arsenal iraniano de mísseis e drones como ponto estratégico. “O que estamos destruindo agora são as fábricas que produzem os componentes para fabricar esses mísseis e para produzir as armas nucleares que eles estão tentando desenvolver”, afirmou Netanyahu. Decisões de juros Na quarta-feira, o Banco Central do Brasil reduziu a taxa básica de juros (Selic) de 15% para 14,75% ao ano, no primeiro corte desde maio de 2024, decisão já esperada pelo mercado. 👉 Mesmo com a queda, o BC sinalizou cautela e não indicou novos cortes por conta das incertezas com a guerra no Oriente Médio, o preço do petróleo e os impactos na inflação. O comitê destacou que vai acompanhar os efeitos do conflito na economia antes de decidir os próximos passos. Com isso, o Brasil continua a ter o segundo maior juro real do mundo, com 9,51%. 🔎 O juro real é formado, entre outros pontos, pela taxa de juros nominal subtraída a inflação prevista para os próximos 12 meses. A liderança do ranking, antes ocupada pela Rússia, passou para a Turquia, que registrou uma taxa real de 10,38%. Os russos aparecem na terceira posição, com juros reais de 9,41%. Enquanto isso, nos EUA, o Federal Reserve manteve os juros entre 3,50% e 3,75% ao ano. Apesar das incertezas, o banco central americano ainda prevê um possível corte de 0,25 ponto ainda este ano, mas alertou que pode mudar de ideia se o cenário externo piorar com os conflitos. 👉 Juros altos nos EUA tendem a fortalecer o dólar e podem impactar países como o Brasil, pressionando a inflação e dificultando a queda dos juros por aqui. Nesta quinta, o Banco da Inglaterra também decidiu manter os juros. A instituição avalia os riscos de inflação decorrentes da guerra, e alguns membros levantaram a possibilidade de um aumento. Mercados globais Em Wall Street, as principais bolsas fecharam em queda. As perdas, que chegaram a ser mais intensas ao longo do pregão, perderam força diante da expectativa de investidores de que o conflito no Oriente Médio possa desacelerar. O índice Dow Jones caiu 0,44%, enquanto o S&P 500 recuou 0,24% e o Nasdaq teve baixa de 0,28%. Os investidores também avaliaram os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA, que caíram para 205 mil, abaixo do esperado, indicando um mercado de trabalho ainda estável, apesar das incertezas globais. Na Europa, os mercados também fecharam em queda, refletindo as tensões geopolíticas e a cautela com a inflação. No Reino Unido, o Banco da Inglaterra votou por unanimidade pela manutenção dos juros, diante dos riscos inflacionários ligados à guerra no Oriente Médio. Parte dos dirigentes, inclusive, sinalizou a possibilidade de novas altas, o que provocou uma forte venda de títulos públicos de curto prazo. Entre as bolsas, o índice britânico FTSE 100 recuou 2,35%, enquanto o DAX, da Alemanha, caiu 2,76% e o CAC 40, da França, teve baixa de 2,03%. Na Ásia, as bolsas também fecharam em queda nesta quinta-feira, com investidores mais cautelosos diante da escalada do conflito e das incertezas sobre a economia global. Em Xangai, o principal índice recuou 1,4%, aos 4.006 pontos, após chegar a ficar abaixo dos 4.000 no intradia, enquanto o CSI300 caiu 1,6%, a 4.583 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 2%, aos 25.500 pontos, e, no Japão, o Nikkei registrou forte queda de 3,4%, aos 53.372 pontos. Também houve perdas na Coreia do Sul (-2,7%), Taiwan (-1,9%), Austrália (-1,6%) e Cingapura (-0,8%). *Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de dólar e real Rafael Neddermeyer/ Fotos Públicas
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