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Dólar sobe a R$ 5,28 e fecha no maior patamar desde janeiro, com conflito no Irã no foco; Ibovespa cai

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair As preocupações com o conflito no Oriente Médio voltaram a guiar os mercados nesta quinta-feira (5) e trou...

Dólar sobe a R$ 5,28 e fecha no maior patamar desde janeiro, com conflito no Irã no foco; Ibovespa cai
Dólar sobe a R$ 5,28 e fecha no maior patamar desde janeiro, com conflito no Irã no foco; Ibovespa cai (Foto: Reprodução)

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair As preocupações com o conflito no Oriente Médio voltaram a guiar os mercados nesta quinta-feira (5) e trouxeram mais um dia de alta para o dólar, que fechou cotado a R$ 5,2865, no maior patamar desde 23 de janeiro (R$ 5,2867). O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, opera em queda na última hora do pregão. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça ▶️ No 6º dia de conflito no Oriente Médio, o chefe militar de Israel afirmou que a ofensiva contra o Irã entrou em sua próxima etapa, com operações destinadas a desmantelar ainda mais as capacidades militares da república islâmica. Mais cedo, o presidente americano, Donald Trump, chegou a afirmar que "precisa se envolver pessoalmente na escolha do próximo líder supremo" do país. A escalada das tensões e a incerteza sobre quanto a guerra ainda pode durar continuam a trazer cautela para os mercados financeiros. A principal preocupação diz respeito ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo. Com temores sobre eventuais impactos no mercado, a commodity registrava mais um dia de alta nesta quinta-feira (5). O petróleo tipo Brent, referência internacional, subia 3,39% perto das 17h, cotado a US$ 84,16. O avanço dos preços acontece mesmo depois de Trump ter afirmado que garantiria o tráfego de petroleiros pelo canal. ▶️ No noticiário local, investidores seguiram atentos aos desdobramentos da nova prisão de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O banqueiro chegou nesta quinta-feira à Penitenciária 2 de Potim, no interior de São Paulo, e deve ficar em isolamento por 10 dias. A nova fase da Operação Compliance Zero revelou que o banqueiro comandava uma "milícia privada" chamada "A Turma". O grupo era usado para intimidar e espionar adversários e também acessava ilegalmente sistemas sigilosos da PF, do Ministério Público Federal e da Interpol. Dois servidores do Banco Central também estariam envolvidos. ▶️ Na agenda de indicadores, o destaque ficou com a taxa de desemprego do Brasil, que ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo a Pnad Contínua divulgada pelo IBGE. O resultado representa uma estabilidade em comparação aos três meses anteriores. Também no radar, a balança comercial do país registrou um superávit (quando as exportações superam as importações) de US$ 4,2 bilhões em fevereiro, puxado pelo forte crescimento das vendas de petróleo ao exterior. ▶️ Já no exterior, as atenções ficaram voltadas para os novos números de auxílio-desemprego nos Estados Unidos. As solicitações somaram 213 mil na semana encerrada em 28 de fevereiro, ligeiramente abaixo da expectativa de economistas, de 215 mil. Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +2,97%; Acumulado do mês: +2,97%; Acumulado do ano: -3,68%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -1,81%; Acumulado do mês: -1,81%; Acumulado do ano: +15,04%. Oriente Médio e petróleo A preocupação dos investidores com o bloqueio do Estreito de Ormuz e em meio às incertezas sobre a duração da guerra voltou a se refletir nos preços do petróleo. O barril do Brent, referência internacional, subia 3,39% perto das 17h, cotado a US$ 84,16. Já o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, avançava 6,38%, para US$ 79,42. Os ataques a navios que transportam petróleo continuaram nesta quinta-feira, segundo informações da agência Reuters. O petroleiro Sonangol Namibe, que navega com bandeira das Bahamas, informou que sofreu danos no casco após uma explosão perto do porto de Khor al Zubair, no Iraque. Ao mesmo tempo, o tráfego de embarcações no Estreito de Ormuz praticamente parou desde o início da guerra. Segundo dados de empresas que monitoram navios, cerca de 300 petroleiros estão parados na região, aguardando condições mais seguras para seguir viagem. O conflito também se intensificou em terra. Na madrugada de quinta-feira, o Irã lançou uma nova série de mísseis contra Israel, levando milhões de pessoas a buscar abrigo. Analistas do banco J.P. Morgan alertam que o fechamento do Estreito de Ormuz pode começar a afetar o fornecimento global de petróleo em poucos dias. Caso o bloqueio continue, cerca de 3,3 milhões de barris por dia podem deixar de chegar ao mercado. O Iraque, segundo maior produtor da Opep, já reduziu sua produção em quase 1,5 milhão de barris por dia, por falta de espaço para armazenar o petróleo e dificuldades para exportá-lo. Já o Catar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações — uma medida usada quando eventos fora do controle impedem o cumprimento de contratos. Fontes do setor dizem que pode levar pelo menos um mês para que a produção volte ao normal. Agenda econômica Desemprego no Brasil A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua), divulgada nesta quinta-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado ficou estável em relação ao trimestre anterior, encerrado em outubro de 2025, também de 5,4%, e representa uma queda de 1,1 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado, quando a taxa era de 6,5%. Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, apesar da estabilidade estatística, há uma tendência de queda no indicador. Ela lembra que, na virada do ano, é comum que a taxa de desocupação suba ao longo do primeiro trimestre, movimento que ainda pode aparecer nos próximos resultados. "Em geral, na virada do ano é comum haver aumento da desocupação, que costuma aparecer ao longo do primeiro trimestre. Mas esse resultado ainda reflete o efeito de novembro e dezembro, que costumam ter indicadores mais favoráveis no mercado de trabalho”, explicou. Veja os destaques da pesquisa: Taxa de desocupação: 5,4% Taxa de subutilização: 13,8% População desocupada: 5,9 milhões População ocupada: 102,7 milhões População fora da força de trabalho: 66,3 milhões População desalentada: 2,7 milhões Empregados com carteira assinada: 39,4 milhões Empregados sem carteira assinada: 13,4 milhões Trabalhadores por conta própria: 26,2 milhões Trabalhadores informais: 38,5 milhões Ela também destacou que, na comparação anual, houve melhora mais clara no indicador. “Quando olhamos para o mesmo trimestre do ano passado, há uma queda significativa da taxa de desocupação”, acrescentou. Pedidos de auxílio-desemprego nos EUA Os pedidos iniciais de auxílio-desemprego ficaram em 213 mil na semana encerrada em 28 de fevereiro, em dado com ajuste sazonal, segundo o Departamento do Trabalho dos EUA. Economistas consultados pela Reuters esperavam um número ligeiramente maior, de 215 mil solicitações. O mercado de trabalho norte-americano ainda se recupera de um período de incerteza vivido no ano passado. Na época, economistas apontaram que as tarifas comerciais impostas pelo presidente Donald Trump — com base em uma lei voltada a situações de emergência nacional — geraram insegurança econômica e afetaram as contratações. Posteriormente, essas tarifas foram derrubadas pela Suprema Corte dos EUA. Em resposta, Trump anunciou uma nova tarifa global de 10% sobre importações e afirmou que a alíquota deverá subir para 15%. Apesar disso, economistas avaliam que o mercado de trabalho pode ganhar fôlego ao longo deste ano, impulsionado por cortes de impostos que tendem a estimular a atividade econômica e a demanda. Outro levantamento divulgado nesta quinta-feira pela empresa de recolocação Challenger, Gray & Christmas mostrou que empregadores sediados nos EUA anunciaram 48.307 cortes de vagas em fevereiro. O número representa uma queda de 55% em relação a janeiro e de 72% na comparação com fevereiro do ano passado. Os planos de contratação, por sua vez, aumentaram 140% frente a janeiro, mas ainda ficaram 63% abaixo do nível registrado no mesmo mês de 2025. Mercados globais Em Wall Street, a escalada das tensões no Irã voltaram a pressionar os mercados americanos. O clima de cautela ganhou força depois que o Irã lançou mísseis contra Israel e após senadores republicanos bloquearem uma tentativa de interromper os ataques aéreos conduzidos pelos EUA. Perto das 17h30, o índice Dow Jones recuava 1,83%. O S&P 500 caía 1,02%, e o Nasdaq Composite tinha baixa de 0,64%. As bolsas europeias encerraram o pregão desta quinta-feira no campo negativo, em meio a um cenário internacional ainda marcado pelas tensões no Oriente Médio. O índice pan-europeu STOXX 600 recuou 1,29%, aos 604,83 pontos. Entre os principais mercados da região, o DAX, da Alemanha, caiu 1,61%, para 23.815,75 pontos; o FTSE 100, do Reino Unido, cedeu 1,45%, a 10.413,94 pontos; e o CAC 40, da França, teve baixa de 1,49%, encerrando aos 8.045,80 pontos. Já os mercados asiáticos operaram em alta, acompanhando uma recuperação regional. A pressão vinda da guerra no Oriente Médio foi compensada pelo entusiasmo dos investidores com ações de tecnologia chinesas, após Pequim anunciar planos para aumentar investimentos em inovação. Esse otimismo ajudou a impulsionar os principais índices da China e de Hong Kong. No fechamento, o índice de Xangai avançou 0,6%, enquanto o CSI300 subiu 1%. O Hang Seng, de Hong Kong, registrou alta de 0,3%. Outros mercados asiáticos também tiveram fortes ganhos: o Nikkei, em Tóquio, subiu 1,9%, chegando a 55.278 pontos; o KOSPI, em Seul, avançou 9,63%, para 5.583 pontos; e o TAIEX, em Taiwan, teve alta de 2,57%, alcançando 33.672 pontos. Notas de dólar. Luisa Gonzalez/ Reuters