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Dólar sobe com decisões de juros de Brasil e EUA no radar; Ibovespa recua

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta nesta quarta-feira (17), com avanço de 0,42%, cotado a R$ 5,1076. Na contramão, o I...

Dólar sobe com decisões de juros de Brasil e EUA no radar; Ibovespa recua
Dólar sobe com decisões de juros de Brasil e EUA no radar; Ibovespa recua (Foto: Reprodução)

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair O dólar fechou em alta nesta quarta-feira (17), com avanço de 0,42%, cotado a R$ 5,1076. Na contramão, o Ibovespa encerrou o pregão em queda de 0,87%, aos 168.177 pontos. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 ▶️ A "Superquarta", momento em que os bancos centrais do Brasil e dos EUA devem anunciar suas decisões de juros, é o principal destaque da sessão. O Federal Reserve (Fed, o BC americano) decidiu manter as taxas inalteradas, em meio aos sinais de preços ainda elevados no país. Já por aqui, a estimativa é de um novo corte de 0,25 ponto percentual (p.p.) pelo Comitê de Política Monetária (Copom). 🔎 A política de juros nos EUA também tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio e no nível de investimento estrangeiro no país (entenda mais abaixo). ▶️ O novo acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã também fica no radar. O entendimento incluiria, entre outros pontos, a reabertura do Estreito de Ormuz e uma nova trégua, incluindo o Líbano. O presidente americano, Donald Trump, afirmou que o tratado também deixa "bem claro" que Teerã não terá armas nucleares, mas reiterou que o entendimento ainda não é final. (entenda mais abaixo) Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado. 💲Dólar a Acumulado da semana: +0,90%; Acumulado do mês: +1,29%; Acumulado do ano: -6,94%. 📈Ibovespa Acumulado da semana: -0,42%; Acumulado do mês: -1,82%; Acumulado do ano: +5,89%. Juros na mira As decisões de juros dos bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos são o principal destaque desta quarta-feira. Por aqui, a expectativa é que o Copom faça mais uma redução de 0,25 ponto percentual (p.p.) das taxas básicas, levando a Selic para 14,25% ao ano. Segundo analistas da XP Investimentos, o cenário de inflação se deteriorou desde a última reunião do colegiado, em meio a choque globais de oferta, o aquecimento da atividade doméstica e a interrupção do ciclo de valorização vivido pelo real. "[Isso] deve levar o Copom a elevar sua projeção para o IPCA [inflação oficial do país] no quarto trimestre de 2027 de 3,5% para 3,6%, e promover mais um corte de 0,25 p.p., para 14,25%, mantendo alguma flexibilidade para ajustes adicionais, mas com comunicação cautelosa e menos inclinada a sinalizar novos passos", afirmaram analistas da XP em relatório. Nos Estados Unidos, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) manteve as taxas de juros americanas inalteradas na faixa de 3,50% a 3,75%. Essa foi a primeira reunião da gestão de Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump para assumir a presidência do Fed. ➡️ O cenário de juros altos nos EUA tem diferentes reflexos no mundo — inclusive no Brasil. Isso porque, com juros mais altos, investidores estrangeiros tendem a realocar recursos para a maior economia do mundo, em busca de rendimentos maiores e maior segurança. ➡️ Com isso, o dólar tende a se valorizar em relação às moedas de outras economias do mundo — incluindo o real — e a bolsa de valores brasileira tende a cair. ➡️ Quando o dólar está mais alto, produtos importados ficam mais caros no Brasil, o que pode pressionar a inflação doméstica, especialmente em itens como combustíveis e eletrônicos. Com preços mais altos por aqui, a tendência é que esse cenário também resulte em juros mais elevados no Brasil, encarecendo o crédito e limitando o crescimento da economia. Na avaliação de Vinicius Flores, analista de investimentos e sócio da gestora americana Stratton Capital, aponta que um dos pontos mais relevantes foi a decisão de Warsh em não divulgar sua estimativa para os juros no chamado "gráfico de pontos" ("dot plot") — movimento que considera coerente com as críticas que o dirigente já havia feito a esse mecanismo. “O gesto reforça que estamos diante de um Fed em transformação, com potenciais mudanças estruturais à frente. O comunicado deixou claro o foco do comitê em entregar estabilidade de preços, e isso deve pautar as próximas decisões”, afirma Flores. Segundo ele, o texto divulgado pelo banco central americano foi mais inclinado a uma postura de cautela com a inflação do que a uma eventual flexibilização, o que mantém aberta a possibilidade de novas altas de juros nas próximas reuniões. Na visão do especialista, essa leitura ajuda a explicar a reação dos mercados, com fortalecimento do dólar, pressão sobre os títulos públicos americanos e queda das bolsas. “A economia dos Estados Unidos continua sólida e em expansão, o que reforça uma visão mais favorável a juros mais altos do que à manutenção ou queda das taxas”, diz. Acordo de paz entre EUA e Irã Os EUA e o Irã chegaram a um acordo para encerrar a guerra no último domingo (14). O memorando de entendimento foi assinado na segunda-feira e a expectativa é que o texto seja divulgado após uma cerimônia presencial, na sexta-feira. (acompanhe os principais acontecimentos) Os detalhes do acordo ainda não foram totalmente divulgados. Segundo a mídia internacional, o memorando de entendimento deve prever: um novo cessar-fogo de 60 dias em 'todas as frentes', incluindo o Líbano; a reabertura imediata do Estreito do Ormuz — que, segundo Trump, deve ficar para sexta-feira, para que minas sejam retiradas do local; o Irã também não deverá cobrar taxas das embarcações, e o tráfico local volte aos níveis pré-guerra em 30 dias; que os EUA também levantem o bloqueio naval que fazem na entrada de Ormuz; que sanções ao Irã sejam flexibilizadas progressivamente; que o Irã se comprometa a não obter uma arma nuclear. Questionado sobre um dos pontos do acordo, o fim das sanções econômicas contra o regime iraniano, Trump disse que ele não será imediato e que isso será debatido pelos dois países posteriormente. Quais os pontos ainda a esclarecer do acordo entre EUA e Irã O republicano ainda afirmou, nesta quarta-feira, que apesar de os dois países terem chegado a um acordo, as negociações ainda não acabaram e que pode voltar a atacar o Irã caso não fique satisfeito. "É um memorando de entendimento. E se eu não gostar, voltaremos a atirar neles, a bombardear suas cabeças. Se eu não gostar, se eles não se comportarem, voltaremos a bombardear bem no meio da cabeça deles, ok?", declarou em entrevista coletiva na cúpula do G7, na França. A cúpula do G7 deu a Trump a oportunidade de apresentar seu acordo com o Irã aos aliados Reino Unido, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão. Em comunicado, os líderes afirmam: "Ressaltamos a necessidade de negociação... para abordar as ameaças representadas pelo Irã na região e além, e garantir que eles jamais obtenham uma arma nuclear". Mercados globais Nos EUA, os principais índices de Wall Street fecharam em baixa, em meio à repercussão da primeira decisão de juros sob o comando do novo presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh. O Dow Jones caiu 0,96%, enquanto o S&P 500 recuou 1,19%. O Nasdaq Composite, por sua vez, perdeu 1,32%. Na Europa, a maioria dos mercados acionários fechou em alta, ainda de olho no acordo de paz entre EUA e Irã. O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,5%. Entre os principais índices, o alemão DAX avançou 0,10%, o francês CAC 40 caiu 0,20% e o britânico FTSE 100 teve alta de 0,14%. Na Ásia, a maioria das ações fechou em alta nesta quarta-feira, impulsionadas pelo setor de tecnologia. O CSI300, que reúne as maiores companhias em Xangai e Shenzen, avançou 0,97%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, ganhou 0,74%. Já o Hang Seng teve queda de 0,74%. No Japão, o Nikkei subiu 0,7%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, teve valorização de 1,58%. *Com informações da agência de notícias Reuters. Notas de real e dólar Amanda Perobelli/ Reuters