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'Efeito China': ofensiva chinesa traz 7 novas marcas de carros ao Brasil até 2028

iCAUR chega ao Brasil com o V27 no ano que vem. Divulgação / iCAUR A Chery International confirmou nesta quarta-feira (5) a chegada da iCAUR ao Brasil e anunc...

'Efeito China': ofensiva chinesa traz 7 novas marcas de carros ao Brasil até 2028
'Efeito China': ofensiva chinesa traz 7 novas marcas de carros ao Brasil até 2028 (Foto: Reprodução)

iCAUR chega ao Brasil com o V27 no ano que vem. Divulgação / iCAUR A Chery International confirmou nesta quarta-feira (5) a chegada da iCAUR ao Brasil e anunciou os planos para outras três marcas do grupo. Segundo o cronograma da multinacional, que já opera a Omoda & Jaecco no Brasil, os modelos da iCAUR e da Lepas começarão a ser vendidos em 2027. Em 2028, será a vez das marcas de luxo Luxeed e Freelander, que atuarão sob a bandeira da Exeed. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp Para 2026, o grupo planeja ter mais de 150 lojas e vender mais de 10 mil carros por mês. Com a chegada das novas marcas, a Chery International pretende continuar a expansão e encerrar 2031 com mais de 1 mil lojas e mais de 500 mil carros vendidos no ano. Roger Corassa, vice-presidente da Omoda & Jaecco, afirmou que o grupo estuda a instalação de uma fábrica no Brasil e que ainda analisa os incentivos oferecidos por cada estado. “É natural que, para ter escala no Brasil, seja necessário ter uma linha de montagem no país. Mas ainda estamos analisando as possibilidades”, disse o executivo. 'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos Em maio, o Grupo Chery lançou a marca Omoda & Jaecco na Argentina e confirmou a intenção de abrir uma linha de montagem no país vizinho. Também confirmou um armazém de peças de reposição para atender a região por lá. Corassa não quis comentar sobre a operação na Argentina, mas disse que a sinergia com os países vizinhos faria sentido. A iCAUR, o nome da marca é pronunciado “Ai Car” sem a letra “u”, aposta em SUVs com design quadrado. Uma referência clara a modelos da Land Rover. O primeiro modelo a chegar é o SV27, que tem a tecnologia REEV. Neste tipo de veículo, a propulsão é elétrica e o motor a combustão somente é usado para carregar as baterias. A marca ainda não confirmou os dados técnicos no Brasil, pois o modelo ainda passa por homologação. No site internacional da iCAUR, o V27 topo de linha vem com dois motores elétricos e tem potência de 449 cv e torque de 51,5 kgfm. iCAUR V23 está confirmado para o Brasil. Divulgação / iCAUR Também foi confirmada a venda do V23, um jipinho 100% elétrico, e mais dois utilitários esportivos: o V27 e o V29. A Lepas, também confirmada para o Brasil, segue um design diferente da iCaur. A fabricante aposta em SUVs mais tradicionais, que lembram modelos vendidos no Brasil pela Caoa Chery. O nome Lepas é uma junção da palavra "leap" (saltar, em inglês), "passion" (paixão, em inglês) e leopardo. Já as marcas Freelander, Luxeed e Exeed serão comercializadas sob a bandeira Exeed. A estratégia é focar em veículos de menor volume de vendas e posicionados no segmento de luxo, com maior valor agregado. A Chery chegou a cogitar a chegada da Exeed ao Brasil há alguns anos, mas impasses com o grupo Caoa, que adquiriu a operação da marca Chery no Brasil, fizeram o grupo chinês desistir do plano. A Jettour também pertence à Chery International. No entanto, sua operação no Brasil e em outros mercados ocorre de forma independente. Tanto que, durante o evento da iCAUR, o CEO da Chery International no Brasil, Hu Peng, não considerou os números da Jetour no planejamento da Chery International para o Brasil. A empresa atua de maneira independente. Hu Peng, CEO da Chery International para o Brasil, apresenta a iCAUR Divulgação / iCAUR Também ainda não está claro como será a relação entre a Chery International e a Caoa Chery no mercado brasileiro. Vale lembrar que o grupo Caoa anunciou recentemente a criação da Caoa Changan Brasil, passando a vender modelos das marcas Changan e Avatr. A Dongfeng confirmou a chegada ao Brasil e, por aqui, adotará a sigla DFM. O chefe de vendas e expansão de rede, Felipe Amaral de Souza, confirmou os planos da marca e, nas próximas semanas, deve apresentar oficialmente seus veículos ao público. Segundo o executivo, a DFM já tem 57 lojas aprovadas e 31 grupos concessionários. A marca planeja estar em 21 estados e no Distrito Federal. A IM é a divisão de luxo da MG e deve chegar ao Brasil. Apesar de a MG carregar a história de uma tradicional marca britânica, ela foi adquirida pela gigante chinesa SAIC e hoje já não tem ligação com os modelos que a transformaram em um ícone da indústria automotiva britânica nas décadas passadas. Thiago Marques, head de marketing da MG Motors, disse que, apesar da operação ainda pequena, MG Motors e IM têm por trás o grupo SAIC e pretendem crescer no país sem descartar linha de produção própria. O g1 acompanhou o lançamento oficial do MG4 Urban, modelo que será montado no Ceará, na mesma linha de produção onde também serão fabricados os modelos Chevrolet Captiva e Chevrolet Sonic para o mercado brasileiro. A chegada de todas essas novas marcas é só mais um capítulo do “efeito China”, que tem reverberado no mercado brasileiro. Preço médio do carro zero no Brasil Um estudo da Bright Consulting mostra que, pela primeira vez em seis anos, o preço médio dos carros novos no Brasil subiu menos do que a inflação em 2026. O valor dos veículos zero km teve uma queda real — descontada a inflação — de 1,5% neste ano. Nominalmente, o preço médio sugerido pelas montadoras subiu 1,4% e chegou a R$ 166,9 mil. Mas o reajuste ficou abaixo da inflação oficial acumulada no período, de 3,18%. Houve uma forte desaceleração em relação aos 5,5% registrados no ano anterior. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp De acordo com os analistas, a expansão das montadoras chinesas no país foi o principal fator por trás da queda dos preços, já que aumentou a competição no mercado brasileiro e forçou as fabricantes tradicionais a reduzirem suas margens. 💰 Por outro lado, a renda estagnada e os juros elevados do crédito veicular ainda mantêm a compra do automóvel zero km distante do bolso da maioria da população. (entenda os detalhes abaixo) Margem para negociação Segundo Cássio Pagliarini, sócio da Bright Consulting, a queda dos preços fica ainda mais evidente após a negociação na concessionária. O valor efetivamente pago no balcão — conhecido como preço de transação — caiu 3,5% em 2026, passando de R$ 157,6 mil para R$ 152,1 mil. A diferença de quase R$ 15 mil entre a tabela oficial de fábrica e o preço final registrado na nota fiscal mostra o esforço do comércio para reduzir os estoques acumulados. Essa diferença é viabilizada por bônus de fábrica, maior valorização do carro usado dado na troca e cortes pontuais nas taxas de financiamento. Gráfico com os dados dos preços dos carros no Brasil g1 Efeito China Como previsto, a entrada agressiva de marcas chinesas no país começou a provocar impactos no mercado. Segundo Antônio Jorge Martins, coordenador dos cursos da área automotiva da Fundação Getulio Vargas (FGV), as fabricantes chinesas se beneficiam principalmente da grande escala de produção em seu país de origem. "Estamos falando de um mercado de cerca de 34 milhões de veículos por ano, 10 vezes maior do que o brasileiro. A BYD, por exemplo, fabricou cerca de 4 milhões de carros só em 2025. Essa escala fabulosa reduz drasticamente o custo médio por veículo", explica Martins. Com mais de 140 marcas disputando espaço no mercado chinês — que já apresenta demanda enfraquecida e oferta ainda elevada —, a busca por rentabilidade em outros países virou prioridade para as fabricantes chinesas. Para ganhar espaço rapidamente no Brasil, a estratégia foi entrar com preços mais baixos. 🔍 O movimento já coloca o Brasil no topo: o país tornou-se o maior importador de carros chineses no primeiro semestre de 2026, com US$ 5,2 bilhões em compras. Do total, US$ 4,5 bilhões foram destinados a veículos elétricos e híbridos. Além da forte demanda por veículos mais tecnológicos, as montadoras anteciparam estoques antes do aumento das alíquotas do imposto de importação por aqui. O professor da FGV aponta ainda que as fabricantes chinesas mudaram o jogo ao verticalizar a produção e fabricar internamente parte dos componentes mais importantes dos veículos, como as baterias. Isso elimina margens de intermediários e garante mais qualidade a um custo menor. "Nos anos 90, os carros chineses sofriam com rejeição por falta de qualidade. Hoje, eles unem alto volume, controle da cadeia e muita tecnologia embarcada", destaca o professor da FGV. Carro mais barato não é fácil de comprar Apesar da queda no valor médio dos carros, a dificuldade de acesso ao financiamento ainda limita um avanço maior dos emplacamentos. As taxas cobradas pelos bancos para o financiamento veicular ainda variam entre 18% e 22% ao ano. A expectativa do setor é de que o crédito só ganhe fôlego à medida que caia a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,25%. "Em momentos normais do mercado, cerca de 60% das vendas de carros no Brasil dependem de financiamento bancário. Quando o crédito fica caro, os bancos reduzem a concessão por receio da inadimplência", avalia Martins, da FGV. BYD Atto 2 DM-i Flex é lançado oficialmente no Brasil Divulgação / BYD