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Empresa dos EUA avança na compra de mineradora brasileira de terras raras com apoio bilionário do governo

Com alto potencial inexplorado, Goiás entra na rota da produção de terras raras A empresa americana USA Rare Earth avançou no processo de compra da Serra Ve...

Empresa dos EUA avança na compra de mineradora brasileira de terras raras com apoio bilionário do governo
Empresa dos EUA avança na compra de mineradora brasileira de terras raras com apoio bilionário do governo (Foto: Reprodução)

Com alto potencial inexplorado, Goiás entra na rota da produção de terras raras A empresa americana USA Rare Earth avançou no processo de compra da Serra Verde, única mineradora de terras raras em operação no Brasil. A companhia anunciou nesta segunda-feira (24) que garantiu os recursos necessários para concluir a compra. O negócio, no entanto, ainda depende da aprovação dos acionistas em uma assembleia marcada para esta sexta-feira (28). 💰 Para concluir a compra, a USA Rare Earth afirmou ter garantido US$ 1,55 bilhão (R$ 7,7 bilhões) em recursos. O dinheiro ficará em uma estrutura financeira criada especificamente para viabilizar a operação. 💸 Desse total, US$ 750 milhões (R$ 3,8 bilhões) vieram do Departamento de Guerra dos EUA. Além do aporte do governo americano, a operação contará com uma linha de crédito de até US$ 500 milhões oferecida por um grande banco. O governo dos EUA também se comprometeu a comprar pelo menos US$ 300 milhões em produtos de terras raras ao longo de cinco anos. 🔍 Isso não significa que o governo dos Estados Unidos esteja comprando a Serra Verde. A mineradora será adquirida pela USA Rare Earth. O governo americano está ajudando a financiar a operação e, separadamente, se comprometeu a comprar parte dos produtos de terras raras. Quem é a Serra Verde Serra verde - mineradora de terras raras em Goias Divulgação A Serra Verde é uma mineradora brasileira que opera a mina Pela Ema, em Minaçu, no norte de Goiás. A empresa extrai terras raras de um depósito de argila iônica, formação geológica que permite a obtenção desses minerais. A unidade iniciou a produção comercial em 2024. A mina produz quatro elementos usados na fabricação de ímãs de alto desempenho: neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Esses materiais são usados em tecnologias como veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, sistemas de energia e equipamentos militares. Segundo a USA Rare Earth, após a conclusão da aquisição, a Pela Ema será a única mina de terras raras extraídas de argila iônica em produção comercial fora da Ásia. A companhia também afirma que a Serra Verde é a única produtora comercial fora da Ásia dos quatro elementos usados em ímãs de alto desempenho. A USA Rare Earth anunciou o acordo para adquirir a Serra Verde em 20 de abril deste ano. Mais de US$ 1 bilhão já foi investido no projeto brasileiro. LEIA MAIS Terras raras: Brasil dá passo inédito para produzir ímãs com minério nacional; 'Terras raras' são ponto-chave na geopolítica mundial, e Brasil tem potencial na área; entenda; UE negocia acordo de terras raras com o Brasil, diz presidente da Comissão Europeia. Qual é o interesse dos EUA? As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos usados em produtos de alta tecnologia. Brasil e China estão entre os países com grandes reservas, mas a China domina principalmente as etapas de processamento e refino desses minerais. Para os EUA, ampliar o acesso à produção brasileira é uma forma de reduzir essa dependência. 🔍 O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, segundo o Ministério de Minas e Energia (MME). O país concentra cerca de 25% das reservas mundiais desses minerais. Os EUA querem reduzir a dependência da China no fornecimento de terras raras, consideradas estratégicas tanto para a indústria quanto para a segurança nacional americana. Em nota, Mike Cadenazzi, secretário assistente de Guerra para Política de Base Industrial dos EUA, afirmou que o investimento busca garantir ao país e a seus aliados acesso a terras raras importantes para a fabricação de equipamentos militares. Segundo ele, a operação é uma tentativa de reduzir a dependência de fornecedores que dominam o mercado global. “Esse esforço garante que nossa indústria de defesa tenha acesso estável e duradouro aos materiais críticos necessários para fabricar sistemas de armas de próxima geração e manter nossa vantagem tecnológica”, afirmou Cadenazzi. Na prática, o governo americano está colocando recursos na operação e garantindo a compra de parte da produção de terras raras. Com isso, os EUA buscam assegurar uma fonte de terras raras fora da cadeia dominada pela China, sobretudo de elementos usados em equipamentos militares. A China domina grande parte da cadeia global de processamento de terras raras, etapa necessária para transformar os minerais extraídos em materiais que podem ser usados pela indústria. As terras raras são usadas na fabricação de ímãs de alto desempenho presentes em equipamentos militares, como caças, submarinos, mísseis e drones, além de veículos elétricos, eletrônicos e equipamentos de energia. A Serra Verde é estratégica para os americanos porque produz neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, elementos usados na fabricação desses ímãs. Ao apoiar financeiramente a operação, os EUA buscam garantir uma fonte de fornecimento fora da China e integrar a produção brasileira à cadeia de terras raras voltada ao mercado americano. Para a USA Rare Earth, a aquisição amplia sua atuação em diferentes etapas da cadeia de terras raras, desde a mineração até a produção de metais, ligas e ímãs. A empresa já possui operações de processamento e fabricação de ímãs nos Estados Unidos e no Reino Unido.