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Ex-chefe do WhatsApp no Brasil cria ONG para denúncias contra big techs; entenda como funciona

Daniela da Silva é ex-diretora do WhatsApp no Brasil CTRL+Z/Rebeca Figueiredo O Brasil acaba de ganhar uma ONG voltada a receber denúncias contra big techs. A...

Ex-chefe do WhatsApp no Brasil cria ONG para denúncias contra big techs; entenda como funciona
Ex-chefe do WhatsApp no Brasil cria ONG para denúncias contra big techs; entenda como funciona (Foto: Reprodução)

Daniela da Silva é ex-diretora do WhatsApp no Brasil CTRL+Z/Rebeca Figueiredo O Brasil acaba de ganhar uma ONG voltada a receber denúncias contra big techs. A CTRL+Z permite que usuários que tiveram problemas com plataformas como Instagram, Facebook, Google e X registrem seus casos e tenham acesso a suporte de advogados sem custo. A iniciativa também abre espaço para que funcionários dessas empresas façam denúncias e revelem práticas que ainda não vieram a público. 🔎 O que são big techs? O termo, em inglês, se refere às grandes empresas de tecnologia. Fazem parte desse grupo companhias como Apple, Amazon, Google, Microsoft e Meta (dona de Facebook, Instagram e WhatsApp). Em comum, elas dominam o mercado digital, concentram milhões de usuários e estão entre as maiores empresas do mundo. Por enquanto, a iniciativa está em fase de testes, o que significa que o suporte ainda pode demorar, segundo as responsáveis pela ONG, as jornalistas Tatiana Dias e Daniela da Silva. Vídeos em alta no g1 Daniela era chefe de políticas públicas do WhatsApp no Brasil e deixou a empresa após Mark Zuckerberg anunciar o fim do programa de checagem de fatos na companhia. (saiba mais abaixo) Em conversa com o g1, Daniela afirmou que o objetivo da CTRL+Z é criar uma cultura de responsabilização das big techs. Segundo ela, a ONG busca parcerias e já conta com uma equipe de advogados para atuar nos casos. "E já surgiram ofertas. Começamos a receber várias mensagens de escritórios de advocacia interessados em fechar parceria", disse. Como funciona É possível fazer uma denúncia gratuitamente pelo site oficial da ONG (https://ctrlz.org.br/add/). Segundo as responsáveis, as vítimas podem relatar casos como encerramento de conta sem aviso, perfil falso, vazamento de dados pessoais, bloqueio temporário injustificado ou perda de acesso, por exemplo, em situações de conta hackeada. Daniela citou como exemplo o caso de uma pessoa que teve uma conta do Google, usada há 20 anos, suspensa de forma equivocada, segundo ela, sob suspeita de uso de imagem de exploração infantil. Ela explica que, por causa do login único da empresa, a suspensão da conta principal pode levar à perda de acesso a diversas plataformas e ferramentas essenciais. "Além dos prejuízos financeiros, pois muita atividade econômica hoje está diretamente ligada a essa presença online", afirmou. Segundo ela, após a atuação da ONG, o acesso foi recuperado. 🗣️ Para denunciar, no site oficial tem um formulário onde as vítimas devem informar o nome da plataforma e descrever o problema, relatando o que aconteceu, se houve contato com a empresa e se teve respostas. 🔍Também é possível anexar provas e fornecer dados pessoais, como nome, cidade e e-mail. Ao final, a pessoa pode indicar se autoriza o contato de um advogado para tirar dúvidas e prestar auxílio, além de decidir se permite ou não a divulgação pública do caso. Segundo as fundadoras, a ONG preferiu não usar formulários de big techs, como Google Forms e Microsoft Forms, para impedir que essas empresas tenham acesso ao conteúdo das denúncias. Por isso, utiliza um sistema com criptografia de ponta a ponta, uma camada de proteção em que apenas remetente e destinatário conseguem acessar as informações enviadas. Já o #VazaBigTech é o programa criado pela ONG para incentivar funcionários de big techs a denunciar casos de interesse público. Embora a plataforma possa ser acessada por navegadores comuns, as fundadoras destacam que o nível máximo de segurança e anonimato só é garantido com o uso do navegador Tor, que dificulta o rastreamento na internet. O objetivo é reunir relatos, documentos e informações sobre decisões consideradas arbitrárias ou negligências com potencial interesse público. Tatiana Dias afirma que a ferramenta permite o envio de denúncias anônimas. Nesse caso, "nem a gente tem como saber quem é", diz, ressaltando que a identidade da fonte permanece protegida. ONG foi criada por ex-chefe do WhatsApp no Brasil Mark Zuckerberg anuncia que Meta vai encerrar sistema de checagem de fatos Daniela da Silva deixou a Meta no início de 2025. Ela era diretora de políticas públicas do WhatsApp no Brasil e atuou no cargo entre fevereiro de 2024 e fevereiro de 2025. A saída dela ocorreu após Mark Zuckerberg anunciar, em um vídeo, o fim da checagem de fatos nos EUA. Na ocasião, o executivo também disse que a Meta passaria a pressionar governos, em parceria com a administração Trump, contra o que classificou como tentativas de censura a companhias americanas. Ao g1, Daniela disse que já havia sinais de aproximação da Meta com o governo Trump, mas que a forma como isso se concretizou internamente, por meio do vídeo de Zuckerberg, foi uma surpresa. Ela disse que ficou sabendo da mudança "junto com todo mundo", ou no máximo uma hora antes da divulgação ao público. A brasileira expôs sua indignação em uma publicação no LinkedIn, onde também anunciou sua demissão. "A velocidade e a intensidade dessa virada retórica da Meta, e a adesão a uma base ideológica tão distinta dos valores que orientavam meu o trabalho até então (pensando nas medidas de integridade e segurança implementadas no WhatsApp nos últimos anos), isso simplesmente não é algo que eu possa compreender, muito menos apoiar", escreveu ela no LinkedIn. Daniela afirmou ao g1 que sua saída não foi planejada. "Foi inesperada e eu não tinha exatamente um plano do que fazer depois, eu não estava saindo de uma empresa indo para outra". Ela também disse que a decisão de deixar a Meta e criar uma ONG foi motivada pela percepção de que há insatisfação dentro das big techs. "Muitos funcionários dessas empresas pensam diferente do que a companhia defende e estão preocupados, mesmo trabalhando lá dentro". Brasileira processa empresa do youtuber MrBeast por assédio