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Novo pré-sal? O que já se sabe e o que ainda falta descobrir sobre o petróleo na Foz do Amazonas

Petrobras anuncia descoberta de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá A Petrobras confirmou a existência de petróleo no poço Morpho, na b...

Novo pré-sal? O que já se sabe e o que ainda falta descobrir sobre o petróleo na Foz do Amazonas
Novo pré-sal? O que já se sabe e o que ainda falta descobrir sobre o petróleo na Foz do Amazonas (Foto: Reprodução)

Petrobras anuncia descoberta de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas, na costa do Amapá A Petrobras confirmou a existência de petróleo no poço Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, nesta segunda-feira (17). A presidente da estatal, Magda Chambriard, confirmou a descoberta durante entrevista coletiva em Oiapoque, no extremo norte do Amapá, após a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à região. Mas a descoberta ainda está em uma etapa inicial: não se sabe quanto petróleo existe ali e nem se a área poderá ser explorada comercialmente. Veja o que já está confirmado e quais são as principais perguntas em aberto. Lula diz que petróleo do Amapá é 'soberania nacional' e que Brasil não aceitará interferências Petrobras amplia ofensiva e pede ao Ibama licença para explorar mais 3 poços Petrobras confirma descoberta de petróleo na Foz do Amazonas, no litoral do Amapá Petrobras descobre pela 1ª vez sinais de petróleo ou gás natural na Foz do Amazonas O que sabemos 1. Onde está o petróleo O poço Morpho fica a cerca de 175 quilômetros da costa do Amapá, em águas de 2.886 metros de profundidade, no bloco FZA-M-59. FZA se refere à Foz do Amazonas, enquanto M-59 identifica aquele bloco específico. Os blocos são áreas delimitadas para atividades de exploração de petróleo. A Petrobras adquiriu o bloco na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), em 2013, sob regime de concessão. Hoje, é a operadora com 100% de participação. 2. Serão necessários novos poços A Petrobras ainda não concluiu os trabalhos no Morpho. Segundo Chambriard, a exploração do poço deve continuar por mais 15 a 20 dias. A empresa também prevê novas perfurações para entender o potencial da região. Chambriard afirmou que estão previstos três novos poços na mesma área, além de outros cinco em áreas adjacentes. "É esse gigantesco esforço exploratório que vai nos dizer o real potencial da região", afirmou a presidente da estatal. Exploração de petróleo na região enfrenta críticas ambientais Petrobras/Divulgação 3. Por que a Petrobras aposta na Foz do Amazonas — e o que ela tem a ver com o pré-sal A Petrobras considera a Margem Equatorial, faixa que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, uma "nova fronteira energética do Brasil", nas palavras do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Furian. A região também ganhou interesse após descobertas de petróleo na vizinha Guiana, em áreas com características geológicas semelhantes. A Petrobras e o governo defendem que a exploração pode ajudar a repor reservas à medida que a produção do pré-sal se aproxime de seu pico. Segundo Chambriard, o pré-sal, responsável por cerca de 80% da produção de petróleo do Brasil, deve atingir o ápice por volta de 2034 ou 2035. O pré-sal foi descoberto em 2006, quando acumulações de petróleo e gás natural em reservatórios situados na área submersa que se estende do litoral do Espírito Santo ao de Santa Catarina foram achadas pela Petrobras. Ainda não está claro se a exploração comercial de petróleo na Foz do Amazonas é viáve Divulgação/Petrobras 4. A descoberta não é, por enquanto, comercial Embora a Petrobras tenha confirmado a presença de petróleo, o achado ainda não é comercial. Não é possível concluir, neste momento, que haverá produção. Ainda serão necessários novos dados para avaliar se o volume e as características do petróleo justificam uma exploração comercial. 5. Há controvérsias A autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a Petrobras perfurar na região foi concedida em outubro de 2025, às vésperas da COP30, realizada em Belém em novembro. O processo levou anos, e a autorização havia sido rejeitada anteriormente. A concessão da licença provocou críticas de organizações ambientalistas, que apontaram uma contradição entre a exploração de petróleo na região e os alertas sobre a necessidade de reduzir o uso de combustíveis fósseis. 6. Expectativa já mudou a região Oiapoque, município mais próximo da bacia da Foz do Amazonas, já sente os efeitos da expectativa de exploração antes mesmo de se saber se o petróleo encontrado será economicamente viável. A perspectiva de empregos e royalties tem atraído novos moradores e acelerado a expansão da cidade. Em 2025, foram emitidos cerca de 800 alvarás de construção e transferências, segundo a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação de Oiapoque. Os aluguéis também subiram, em um cenário descrito por uma corretora ouvida pela BBC News Brasil como de especulação imobiliária. O crescimento, porém, ocorre de forma desordenada: há novas ocupações com casas, ruas de terra e falta de infraestrutura, incluindo áreas sem acesso à água. O que ainda não sabemos 1. Quanto petróleo existe no Morpho Esta é a principal incógnita. A Petrobras confirmou a presença de petróleo, mas não divulgou um volume. Segundo Chambriard, serão necessários mais trabalhos de exploração para dimensionar o potencial da área. A Petrobras pretende perfurar outros poços justamente para responder a essa questão. São três previstos na região e cinco em áreas adjacentes. 2. Se a descoberta será economicamente viável Também não há resposta para essa pergunta. A confirmação da presença de petróleo não significa que a produção será economicamente viável. Só uma avaliação mais completa poderá indicar se há quantidade e condições de exploração suficientes para justificar a produção comercial. 3. Quando — ou se — haverá produção de petróleo Os trabalhos no Morpho continuam, novos poços dependem de autorização do Ibama, e os resultados dessas perfurações serão necessários para determinar o potencial econômico da área. Por isso, ainda não é possível afirmar quando a região poderia começar a produzir petróleo — ou mesmo se isso acontecerá. 4. Quais serão os impactos ambientais e sociais da exploração Organizações ambientais afirmam que a região é ecologicamente sensível e que os eventuais impactos da exploração de petróleo ainda são desconhecidos. Há também preocupação com os efeitos sobre comunidades indígenas e quilombolas. Durante a COP30, a líder indígena Luene Karipuna, da Articulação dos Povos e Organizações Indígenas do Amapá e Norte do Pará (APOIANP), afirmou que três terras indígenas, onde vivem quatro povos, já sofriam com a perspectiva da prospecção e exploração. Segundo ela, havia sobrevoos sobre os territórios, pressão sobre as comunidades e tentativas de dividir lideranças. Ao mesmo tempo, a Petrobras afirma que uma eventual exploração seria realizada com investimentos tecnológicos voltados à segurança operacional e ao cuidado ambiental.