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O que acontece agora que as negociações de paz entre Irã e EUA não chegaram a um acordo?

O que acontece agora que as negociações de paz entre Irã e EUA não chegaram a um acordo AFP via Getty Images via BBC O encerramento das negociações de paz...

O que acontece agora que as negociações de paz entre Irã e EUA não chegaram a um acordo?
O que acontece agora que as negociações de paz entre Irã e EUA não chegaram a um acordo? (Foto: Reprodução)

O que acontece agora que as negociações de paz entre Irã e EUA não chegaram a um acordo AFP via Getty Images via BBC O encerramento das negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã sem um acordo, na capital paquistanesa, Islamabad, colocou em dúvida a possibilidade de se alcançar uma paz duradoura entre os dois países. Antes das conversas encerradas neste domingo (12/4), autoridades do governo do Paquistão vinham demonstrando otimismo, destacando que, ao contrário de muitos outros, o país goza da confiança de ambos os lados. 🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1 O chefe da delegação dos EUA, o vice-presidente J.D. Vance, também se mostrou confiante, mas após as negociações que se estenderam pela madrugada de domingo, foi anunciado que não houve acordo. Desacordos fundamentais sobre o programa nuclear iraniano, entre outros pontos sensíveis, teriam levado ao colapso das conversas. Então, o que isso significa para o conflito e para as opções dos principais protagonistas da guerra? Veja os vídeos em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Contexto A chefe dos correspondentes internacionais da BBC, Lyse Doucet, destaca que as negociações em Islamabad foram o mais alto nível de conversas entre Irã e Estados Unidos desde a Revolução de 1979. "Não é possível fazer esse tipo de diplomacia em um dia", afirma Doucet, acrescentando que já havia sinais, antes mesmo do início das conversas, de que o processo não seria rápido. O presidente dos EUA, Donald Trump, tem usado linguagem dura de forma consistente, diz Doucet. "'O Irã foi derrotado. O Irã precisa se render.' Vance refletiu isso ao dizer que eles [Irã] tinham de concordar com os nossos termos." Mas é pouco provável que o Irã se submeta a ultimatos, e o país não chegou a Islamabad pronto para se render, aponta Doucet. "O Irã chegou a Islamabad não achando que tinha perdido esta guerra; na verdade, chegou achando que está vencendo. Acredita que tem uma posição forte. Continua retaliando e conseguiu militarizar o Estreito de Ormuz", o corredor no Golfo Pérsico por onde passa boa parte do petróleo mundial. E agora? Ambos os lados voltarão às suas capitais e darão mais tempo à diplomacia? Ou o presidente dos EUA, Donald Trump, decidirá que agora é o momento de escalar o conflito? Nicholas Hopton, ex‑embaixador do Reino Unido no Irã, acredita que há alguns sinais positivos no que ocorreu em Islamabad. "Eles parecem ter abordado as conversas de maneira construtiva de ambos os lados", afirma Hopton. "Conversaram por um período do dia excepcionalmente longo. E a forma como as conversas foram conduzidas permitiu tanto discussões técnicas detalhadas quanto declarações mais gerais." Ele diz que, apesar de exigências "maximalistas" terem sido apresentadas por ambas as partes em Islamabad e de a distância entre elas ainda ser grande, os dois lados parecem esperar que novas conversas aconteçam. "Este acordo — se houver um a ser feito eventualmente — provavelmente terá novos elementos e será mais complexo até mesmo do que o acordo de 2015", afirma, referindo‑se ao acordo fechado com o Irã pelo então presidente dos EUA, Barack Obama. Kasra Naji, correspondente especial do serviço persa da BBC News, também sugere que "nem tudo está perdido". "O chefe da delegação iraniana nas conversas, Mohammad Bagher Ghalibaf, tuitou culpando o lado americano por não conseguir ganhar a confiança da delegação iraniana 'durante esta rodada de conversas', deixando aberta a possibilidade de mais negociações", escreve Naji. E, de fato, a BBC apurou que conversas indiretas continuaram entre delegados iranianos e americanos por meio do Paquistão, apesar do fim das negociações formais. "Isso não foi confirmado oficialmente nem pelos EUA nem pelos iranianos e, como no passado, sempre foi difícil entender a natureza de quaisquer discussões entre intermediários", afirma a correspondente da BBC em Islamabad, Azadeh Moshiri. "Mas isso pode sugerir que a porta para a mediação e para conversas por canais paralelos não está totalmente fechada." Portanto, uma escalada por parte de Washington está fora de cogitação, pelo menos por enquanto, com Trump adotando uma abordagem mais paciente e estratégica? Sim, dizem alguns especialistas, que sugerem que o Irã continua a ter influência sobre os EUA — particularmente em razão da prolongada interrupção do comércio global, da sobrevivência da liderança iraniana e de seus aliados e da existência de seus estoques de urânio enriquecido. Uma agência de notícias iraniana, a Tasnim, citou uma fonte dizendo: "O Irã não está com pressa para negociar." A fonte acrescentou que "a bola está no campo da América". Como coloca a correspondente Azadeh Moshiri: "A grande lição aqui é que a força bruta não empurrou os iranianos para uma posição em que sentissem que precisavam fazer concessões." Outros relatos sugerem que Trump está considerando um bloqueio naval ao Irã após o colapso das conversas — semelhante ao que ocorreu antes da deposição do ex‑presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro. Talvez em alusão a isso, no fim de semana, enquanto as negociações estavam em andamento, um alto oficial militar dos EUA divulgou uma declaração sobre o estabelecimento de um corredor marítimo seguro — por meio de ações ativas de desobstrução de rotas — para desbloquear o Estreito de Ormuz. Não está claro se isso poderia ou ocorreria em conjunto com a retomada dos bombardeios dos EUA ao Irã. Em última análise, o presidente dos EUA deve estar ciente de duas coisas, afirma a correspondente Lyse Doucet. "Primeiro, [um retorno à guerra] seria muito impopular em casa." Trump estará atento ao impacto doméstico de qualquer conflito global prolongado — especialmente se o custo de vida continuar a subir justamente quando as eleições de meio de mandato se aproximam, em novembro. O índice de preços ao consumidor (CPI) mais recente — que mede o preço de uma cesta de bens e serviços — é o maior em quase dois anos, um indicativo preocupante do que pode estar por vir. "Segundo, não vai funcionar", acrescenta Doucet. "O Irã vai reagir." Este texto foi traduzido e revisado por nossos jornalistas utilizando o auxílio de IA, como parte de um projeto piloto